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Crónicas da Cidade dos Leões

Um blog que adora partilhar dicas e reflexões sobre lifestyle, descobertas e organização. Sejam Bem Vindos!

Crónicas da Cidade dos Leões

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5 Coisas que gostava de saber quando entrei na Faculdade

Estamos naquela época do ano em que os nossos jovens correm para os exames nacionais de acesso ao ensino superior e as corridas às universidades terão inicio daqui a pouco tempo. 

Se esta fase é crucial na vida de um jovem (seja o seguimento de um curso universitário ou, pelo contrário, a escolha de uma outra profissão igualmente meritória e necessária) também não deixa de ser verdade que esta escolha é vista como "a oportunidade última" de realização profissional e pessoal e isso nem sempre é assim.

No ano em que comemoro 10 anos de licenciatura trago-vos 5 coisas que gostava que me tivessem dito ao longo dos meus anos de formação profissional e que me teriam poupado momentos de stress e de sensação de ser uma nódoa e de não me dedicar suficientemente à profissão. 

 

- Uma profissão não define quem tu és: 

Durante os meus anos de faculdade e inicio de carreira a primeira palavra que me saia da boca quando me pediam para me definir era relacionada com fisioterapia ou fisioterapeuta. No entanto, ao longo dos anos, essa definição prejudicou-me mais do que me ajudou.

Provavelmente muito por culpa daquela célebre frase do "escolhe um trabalho que gostes e não terás de trabalhar um único dia na tua vida" e que, por muito bonita que seja, não nos prepara para os dias e momentos em que tudo corre mal e que não nos resta mais nada senão "cerrar os dentes" e esperar pela oportunidade de mudar alguma coisa. 

A fisioterapia faz parte de mim e é o meu meio de subsistência, no entanto tenho muitos mais papéis que executo e que me definem igualmente bem.

Aliás hoje sei que gosto de demasiadas coisas e que preciso de misturar tudo isso para me sentir bem na minha pele. E isso é importante para manter um equilíbrio com a minha vida pessoal, familiar e social  que, para mim, são fundamentais!

Outra coisa importante é que nenhum arrependimento, mudança de projeto ou simplesmente vontade de fazer algo diferente demonstram alguma coisa de errado contigo, nem mesmo quando os nossos antigos colegas continuam tão motivados como sempre (especialmente quando tem negócios próprios e usam as redes sociais como "motor" para chegar a mais pessoas. Cada um sabe de si e, felizmente, as nossas aspirações são diferentes.

 

- Não desleixes nada pelo curso: 

Sim, as fases de exames são complicadas e sim existem momentos de muita tensão. Mas existem também momentos de maior disponibilidade. E é nesses momentos que é preciso cuidar das relações amorosas, das amizades, da família e de nós mesmos. 

Porque se uma rede de contactos é importante e se as mil associações da faculdade podem ser uma aposta de "futuro" em caso de um problema mais pessoal essas ligações não te vão valer de nada, afinal não é essa a sua "função".

Já ter gente que gosta de nós a sério é um luxo inestimável nos dias que correm e guardar bons  amigos é um tesouro incalculável por isso guarda-os bem perto de ti e do coração, mesmo que não possam estar juntos todos os dias... 

 

- Aprende outras competências: 

Se a única coisa que fizermos ao longo da nossa vida estiver ligada ao percurso escolar então não aprendemos nada fora das competências técnicas e ideológicas da profissão.

Adquirir competências variadas (e desculpem lá mas o english business ou as conferências XPTOs da faculdade não contam neste tópico) podem, no entanto, ser de extrema importância em todas as áreas e ajudar-te num processo de desenvolvimento pessoal e profissional e, quem sabe, mostrar mais de ti ao teu futuro empregador do que aquilo que pensas. 

Empatia, lealdade, companheirismo, espírito de sacrifício, trabalho de grupo, resiliência são alguns dos itens que aprendemos mais facilmente em atividades extra curriculares do que na escola. 

Fui escuteira durante muito tempo e talvez essa "escola" me tenha formado mais sobre pessoas do que todas as aulas, exames e trabalhos da faculdade,  e como profissional de saúde isso é uma mais valia inestimável.

Acredito que assim seja para todas as áreas onde os contactos humanos, seja de que ordem for, também o sejam. 

 

- Aproveita cada momento: 

Eu sou a primeira pessoa a defender que ter objetivos e planos é fundamental mas acho que não nos devemos esquecer do momento presente. 

Os últimos anos de adolescência e os primeiros de vida adulta são essenciais na nossa construção enquanto pessoas e no aperfeiçoamento da nossa essência. 

Deveria aproveitar-se esse momento privilegiado para conhecer pessoas inesquecíveis, fazer descobertas maravilhosas e aprender a afirmar-se. Mas afirmar-se pelo que realmente se é e não pelas ideias dos amigos, dos grupos de estudantes ou ideologias políticas que invadem cada vez mais os media e os corredores das universidades. 

De tanto nos queremos destacar acabamos por entrar em "caixinhas" e fazer todos as mesmas coisas. 

Os valores e um carácter determinado são demasiado raros nos dias de hoje e é quando ainda não precisas daquele emprego para sobreviver e pagar contas que podes aprender a afirmar-te,  a negociar, a impôr limites e a controlar o que sentes e como sentes sem te prejudicar mais tarde. 

 

- Trabalha a tua autonomia: 

Coisa altamente aceite em Portugal é a dependência financeira dos pais até tarde (demasiado tarde) e isso porque os cursos são longos (e somos meio que empurrados para o mestrado e depois para o doutoramento) e é difícil arranjar trabalho "na área".

Depois, ainda há uma tendência essencialmente errada que "fazer estudos" e executar um trabalho de baixo grau, nem que seja em part-time ou como emprego de Verão, é "mau" para o curriculo. 

A verdade é que podemos sempre aprender, fazendo o que quer que seja. Um estudante de medicina pode aprender muito quando faz um trabalho de atendimento ao público numa caixa de supermercado, por exemplo.

Pessoalmente durante praticamente todas as férias da faculdade trabalhei e sinceramente nunca mais tive a mesma sensação de orgulho e dever cumprido como aqueles primeiros salários que não me davam para viver, certo, mas que me faziam sentir adulta e responsável. E que foram bem práticos para comprar coisas que me faziam falta e que não queria pedir aos meus pais e ainda para financiar algumas das borgas do início de ano letivo! 

Já agora, e correndo o risco de chocar pais e filhos, há uma altura em que os pais têm direito de ter a sua vida e de poderem oferecer-se a si próprios pequenos luxos. Ora se vivermos à custa deles até muito tarde estamos a privá-los disso... e convenhamos que mesmo que a nossa cultura e usos e costumes em Portugal estejam feitos nesses moldes e que pai nenhum que se prese vos dirá isso, eles também merecem ter tempo para eles, não acham?

 

E por aí, o que gostariam que vos tivessem dito nesta fase decisiva de escolher que profissão exercer no futuro? E o que disseram aos vossos filhos sobre o assunto? 

Um grande beijinho e até ao próximo post!

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Photo by Siora Photography on Unsplash

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Lição de Vida... Num Chocolate

O meu trabalho é, muitas vezes, uma fonte enorme de assuntos de reflexão. E muitas vezes fazer a diferença na vida das pessoas não é tão levado ao extremo como mostra o Dr. House mas apenas são precisas pequenas alegrias e apoio suficiente para colocar um sorriso na cara de alguém. 

O Sr. S (chamemos-lhe assim) está no nosso serviço desde há 15 dias. Entrou de urgência para ser sujeito a uma cirurgia cardiaca ao estado de quase vida ou morte. O Sr. S. está sozinho no Mundo, não se entende com os familiares mais próximos e os seus problemas económico-sociais são bastantes graves. 

Para ajudar à festa o Sr. S. sofreu uma amputação do membro inferior esquerdo há pouco menos de um ano e está consciente de que o direito não tardará muito a sofrer o mesmo destino. 

Um destes dias dizia-me ele com um sorriso triste que foi o preço que pagou por ser "um grande comilão, um grande bebedor e um grande fumador". Eu respondi-lhe que erros cometemos todos e que era para a frente o caminho. Sinceramente ainda não aprendi, se é que algum dia vou aprender, a lidar com uma situação destas e saem-me sempre "frases cliché". 

Na Sexta Feira passada, enquanto fechava os meus registos da semana, ouvi o Sr. S. dizer a um jovem enfermeiro que lhe apetecia um bocadinho de chocolate.

Olhei para a colega de enfermagem que estava por perto (e que conheço bastante bem pelo que não precisei de muito tempo para perceber o que ela ia fazer) e ouço-a chamar o colega e colocar-lhe algumas questões clínicas sobre o doente. E a seguir fomos buscar um chocolate para o Sr. S. ...

E nesse momento, enquanto assistiamos a um homem adulto comer um chocolate até se lamber os dedos (literalmente) com um sorriso infantil sentimos que fizemos alguma coisa de importante por ele.

Porque são estes atos, que vão mais longe do que uma exímia perícia técnica ,que é certo bem necessária, que fazem um paciente se sentir acompanhado no hospital onde está. 

No fim agradeceu-nos a todos (porque toda a equipa se envolveu na "caça ao chocolate") e confessou-nos que não comia um pedacinho de chocolate há mais de um ano e que já se tinha esquecido de como era tão bom. 

E nós, que tantas vezes nos esquecemos de aproveitar os pedacinhos de chocolate que a vida nos vai oferecendo e que, provavelmente, só nos aperceberiamos de como tinhamos sorte em tê-los quando os perdemos. 

E assim o Sr. S. deu-nos uma lição de vida bem mais valiosa do que o pobre chocolate que fomos buscar para lhe dar!

Já agora, para todos aqueles que podem chocar-se com o facto de termos oferecido um chocolate a um paciente tenho a dizer que um bocadinho de açucar não o vai matar mas irá, com certeza, dar-lhe algum alento para o longo caminho que ainda irá terá pela frente. E às vezes é de fé e alento o que mais falta numa cama de hospital... 

daniel-fazio-JBN6FHP5VXk-unsplash.jpgPhoto by Daniel Fazio on Unsplash

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O Natal dos Hospitais

Post n.º 21 do Calendário do Advento da Nala

Li muito a frase "este Natal não teremos Natal para podermos ter para o ano" e não pude deixar de fazer toda uma reflexão com ela. 

Se é verdade que, se as coisas fossem lineares, isso seria realidade. Por outro, e talvez seja o meu lado mais realista a vir ao de cima, não será bem assim. 

A única coisa que está nas nossas mãos é a escolha atual: o que fazer neste Natal. Nada nos garante que estaremos todos à mesa de Natal no próximo ano.

A vida é demasiado imprevísivel para apostarmos tão alto. 

Hoje gostaria de trazer à nossa memória aqueles que passarão o Natal sozinhos para ficarem "protegidos", alguns sem terem sido ditos nem achados nesta decisão que cabe aos filhos.

Gostaria de deixar uma palavra de apreço aos pacientes que passarão esta Noite Santa numa cama de hospital ou sozinhos num lar de terceira idade. Aos que estão na rua à chuva e ao frio. Que quem estiver escalado nesta noite terá a dificíl missão de escutar e dizer uma palavra de conforto pela solidão que estão a sentir. 

Quantos desses estarão lá no próximo ano de boa saúde para poderem aproveitar. 2020 fez-nos esquecer duas coisas fundamentais: não é só o COVID que mata (antes fosse que era muito bom sinal, desculpem lá a franqueza) e que um ano é muito tempo! 

Todos os anos, e sempre que trabalho na véspera de Natal, saiu do hospital com a sensação de "dupla pena" que muitas daquelas pessoas sentirão. Estarem sozinhas e fragilizadas quando deveriam estar rodeadas pelos filhos e os netos. E algumas ainda têm a gentileza e metem o pouco que têm num sorriso e num "Boas Festas" dito em jeito de despedida. 

Não é de agora mas é ainda mais fundamental falar-se nisso neste ano. Se queremos falar de saúde e segurança que as possamos olhar pelos diversos angulos e nem todos são tão luzidios como aqueles que insistimos em ver!

E a incerteza do futuro é ainda mais flagrante nestes sítios. Aliás, posso agradecer à minha profissão e a tudo o que ela me fez sentir e ver o tanto que aprendi sobre desespero, tristeza e solidão. E daí ter opiniões tão marcadas e tão contrárias à maioria que simplesmente levantam os ombros e dizem "para o ano há mais". (E Deus sabe como lhe agradeço quando são os primeiros a sairem-se com essa frase, mesmo que isso me dê cabo dos nervos). 

Porque o nosso tempo é finito e escasso e "adiar" os afetos e os abraços não é a mesma coisa que "adiar" a compra do novo sofá da sala. Nada nos garante que haverá amanhã para os nossos idosos, os nossos familiares doentes ou mesmo para nós, por muito saudáveis que sejamos. Quantas vezes a vida já nos provou que se "apaga" em menos de nada? 

Que com restrições ou gestos barreira não esqueçamos que o ser humano precisa de afeto e não de uma "gaiola dourada" como aquela onde tantos idosos estão a viver com a "desculpa perfeita" de uma epidemia mundial. 

E porque um ano é muito mais tempo do que aquilo que parece e uma vida precisa de apenas um minuto para acabar ou para dar uma volta para melhor.  

Por isso passemos o Natal em segurança, com respeito dos gestos barreira, com máscaras, álcool-gel e o que quer que seja mas não "esqueçamos" que este Natal pode ser mesmo o último... e que há muito mais doenças do que aquela de que tanto se fala e que a solidão, mesmo que seja a zona menos arriscada, é tão mortal como o resto!

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Serviço Público

Ora já há muito tempo que não vos falo da dita Pandemia essencialmente porque quando o faço estou a falar de trabalho. 

Mas nestes últimos tempos continuo a ver demasiada informação ser transmitida em massa e completamente desestruturada pelo desconhecimento de quem a recebe e isso preocupa-me.

Ainda para mais continuo a ouvir pessoas próximas a comentar a forma como usa material de proteção hospitalar que era até então exclusivo ao pessoal hospitalar e de laboratório e tenho a impressão que há erros básicos que são cometidos.  

Por isso hoje decidi deixar-vos aqui os conselhos que mais dou aos meus familiares e amigos e que me parecem necessários para a manutenção da saúde física e mental de todos nós. 

 

- Em primeiro lugar queria falar-vos do cuidado com a escolha e a manipulação do material de proteção: Um dos maiores erros está não apenas na forma como se usa a máscara mas também na forma como se manipula. Por isso atenção onde se toca, como se tira e coloca e por aí fora já que erros de manuseamento podem ser tão graves como erros de utilização. 

 

- Todas as máscaras têm um tempo de vida equivalente: Várias foram as pessoas que me falaram da utilização das chamadas máscaras FFP2.

Estas máscaras, que são as mais filtrantes e é por isso que são reservadas ao pessoal hospitalar na manipulação de aerossóis (como ventilação mecânica, aspirações, etc...) mas atenção que a sua eficácia está sobretudo relacionada com o facto de serem muito mais estanques o que as torna também muito mais difíceis de suportar.  

No entanto e como se fala do facto de ser uma máscara muito filtrante as pessoas conseguem compra-las e depois cometem alguns errinhos ao utiliza-las. Ao contrário daquilo que muitas pessoas apregoam (incluindo profissionais de saúde) estas máscaras duram exatamente o mesmo que uma máscara cirúrgica, ou seja, 4 horas para uma proteção completamente eficaz.

E têm ainda a agravante de que a manipulação desta máscara é muito mais difícil e sujeita a mais erros.

Por isso, e dando-vos o meu exemplo pessoal, na "vida real" o que faço é manter as distâncias de segurança (quando é possível porque, quem anda de transportes públicos sabe que nem sempre é fácil) e uso a máscara cirúrgica ou mesmo de tecido. É mais fácil de usar, arriscamos menos quando a manipulamos e estamos igualmente protegidos.

 

- Em segundo lugar gostaria de vos falar da lavagem das mãos, que deve ser frequente, seja com água e sabão  ou uma com solução hidro-alcoólica. Podem ser usados em conjunto mas é importante que as mãos estejam bem secas. 

As mãos em ferida são normalmente culpa da aplicação do álcool-gel em mãos molhadas e não da sua utilização frequente. A utilização apenas do álcool-gel (com uma fricção de 30 segundos) será bastante eficaz sozinha. Façam atenção a isso porque feridas abertas não é de todo o que mais precisamos neste momento. 

 

- Em terceiro lugar aconselho-vos a filtrar a informação: Como vos disse no início do texto defendo que demasiada informação destrói a informação. Por isso esqueçam todos os noticiários e a informação diária da DGS e limitem-se a tomar os vossos cuidados, alimentar-se bem, fazer desporto e apanhar ar  (com respeito pelas distâncias sociais) e controlem os vossos níveis de ansiedade. 

Pela mesma ocasião não deixem de recorrer aos serviços de saúde sempre que for necessário e não permitam que os serviços de saúde ou a informação que precisam vos sejam negados pelas restrições do controlo da doença. Não assistência à pessoa é crime e se já morreu muita gente infetado com COVID as consequências das medidas de restrição não estão a ser menos pesadas. 

Afinal existem muitas outras doenças que continuam a matar tanto ou mais e é pena não serem feitas também conferências diárias sobre elas também (sim, sim... falo entre outras de doenças cardio-vasculares que poderíamos prevenir)... 

Espero que este post vos tenha sido úteis e que possam ajudar-vos na gestão de algumas das vossas dúvidas. 

Um grande beijinho e até ao próximo post!

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Sentido Crítico

Já há vários meses que não me inspirava da minha equipa de trabalho para escrever um post e eis que se apresentaram algumas situações que gostaria de refletir convosco. 

Uma das minhas maiores características é o sentido crítico. Não o sentido crítico equivalente à crítica fácil mas antes o sentido crítico associado à capacidade de observação e, em caso de dúvida, manter um pé atrás.

Foram recrutados vários novos colegas para a equipa nestes últimos meses. A maioria recém licenciados e uma colega mais velha. Mal chegam esses colegas são imediatamente engolidos pelo espírito de grupo que consiste em partilhar assuntos pessoais e criticar colegas. 

Hoje dei com uma colega mais velha a criticar uma das recém chegadas. A mesma que anda  à semanas a recrutar para o seu lado contra outro colega. 

Se este post serve para me lamentar? Não... já lá vai o tempo! Mas serve para alertar. 

Uma das minhas amigas e colega de faculdade usava muitas vezes a expressão "nas costas dos outros vejo as minhas" e quanto mais cresço mais acho que ela está cheia de razão. 

"Dizer mal" de alguém é, apesar de tudo, uma forma rápida de aproximação. Sentimo-nos unidos àquela pessoa e reconhecemo-la como tendo algo em comum connosco. No entanto esta aproximação de pouca dura. 

Por isso acho tão importante que, antes de criticar alguém, devemos pensar duas vezes no que essa crítica nos faz ganhar ou perder e, sobretudo, quando alguém faz tanta questão de nos empurrar para as suas próprias guerras de tentarmos perceber exatamente porquê. 

E essa é uma das razões pelas quais sou "má" mas respeitada: não entro em guerras que não são minhas. E espero que a vida ensine a estes colegas que chegaram a fazer exatamente o mesmo... 

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Photo by Ben White on Unsplash

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O Toque (ou a falta dele)

O toque é parte integrante da comunicação não verbal do ser humano. Têm ainda mais impacto na nossa cultura mediterrânica que é muito "de contacto". Quando tocamos o outro entramos numa esfera mais próxima, mais privada. Numa esfera onde há uma ligação ainda mais forte.

Não é por acaso que o "pele contra pele" de um bebé contra a sua mãe ou pai é uma realidade na maior parte das maternidades e nos serviços de neonatologia ou que exprimimos o nosso amor com beijos e abraços. 

Como fisioterapeuta o toque faz parte integrante do meu trabalho e como pessoa sempre me exprimi muito pelo toque para reforçar o que queria transmitir em palavras. A palmadinha no ombro que aumenta o poder da palavra dita...  

Se há algo que me falta é isso. Não são só os beijos e abraços apertados. É o toque no momento de exprimir uma felicitação ou, pelo contrário, dar conforto e proteger.

Sei que há quem pense o contrário, e respeito, mas o "toque" é a base da minha profissão e também aquilo que me faz ser competente nela. É uma das bases da minha essência. 

E ainda hoje quando, especialmente no trabalho, tenho alguém em sofrimento à minha frente e que chora, ainda lhe dou a mão (desinfectada mais de 500 vezes ao longo do dia, como sempre foram...). Porque sou melhor em comunicação não verbal e porque está aí a minha força. 

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Objetivo de Rentrée

Nunca soube escolher onde queria gastar a minha energia. Sempre me lancei a fazer tudo e mais alguma coisa desde que a oportunidade se apresentasse. 

Com o crescimento e sobretudo a mudança de prioridades que tenho experienciado ao longo dos anos tenho visto aumentar a minha necessidade de fazer escolhas. Afinal a minha energia e o meu tempo são recursos finitos que, por muito que eu queira, acabaram num momento ou outro. 

Admito, no entanto, que têm sido um trabalho árduo mas pouco eficiente. 

Tento fazer escolhas baseadas nos meus valores e naquilo que é essencial na minha vida. Evito entrar em guerras que estão perdidas à partida ou que dependem de terceiros. Mas, por muito que as intenções sejam as melhores, chega a altura em que o cansaço se apodera, em que a relatividade cai por terra e em que os meus padrões se alteram. 

E é dificil manter o foco e recentrar-me... E sinto-me cansada e desesperada pelo momento em que um acontecimento de vida ou a vontade divina vão mudar o curso das coisas. 

Este mês de Agosto passou-se um bocadinho nestes moldes. Com um horário de trabalho cronofágico e dias de descanso reduzidos e incompletos e, em consequência, muito pouca energia foi dificil de desligar e o peso dos dias, das horas e das semanas deixaram-me completamente dependente das "vagas da vida". 

Gastei demasiada energia a fazer o que não queria e da forma que não queria e tive de utilizar artefatos para me manter motivada e com a cabeça "à tona de água". Acabei o mês com os dentes serrados e à espera que o seu final, e as férias que viriam a seguir, chegassem. Não é cem por cento saudável mas mantive-me firme até ao fim e isso é muito bom!

Não sei como trabalhar nisto, até porque as mudanças já passaram o "intrínseco" e precisam de ser mais estruturais. Mas esperemos que as férias me tragam a clareza necessária para estabelecer este objetivo de rentrée.

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Photo by Drew Graham on Unsplash

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3 formas de evitar as fofocas

Ai as fofocas... quem nunca deu uma "mordidazinha" na vida do outro ou, pelo contrário, soube o que era ser o tema de uma? 

As fofocas são aquelas "conversazinhas afáveis" sobre a vida alheia que podemos ter com um colega enquanto bebemos o cafézinho da praxe ou a razão do telefonema de uma amiga que têm uma "novidade muito quente"! Toda a gente gosta de ouvir mas ninguém gosta de ser o tema.

E é para te manter longe delas, especialmente neste periodo de regresso ao trabalho, que te trago algumas formas de as evitar. Preparados?

- A melhor defesa é o ataque que é como quem diz evita participar em conversas sobre a vida alheia.  Afasta-te se isso for possível ou então, se não tiveres forma de fugir, muda delicadamente de assunto. 

- Manter-se discreto é outra boa forma de manter os olhos (e a língua afiada) dos outros longe da nossa vida. Existem, no entanto, alturas em que não te será possível manteres essa postura e poderás ser tema de conversa mas, pelo menos, será porque valeu a pena! 

- A tua vida privada é "Privada"! Este é um daqueles conselhos muito frequentes mas que são realmente importantes, especialmente no que ao ambiente de trabalho diz respeito. Nem todas as perguntas são inocentes e nem todas as pessoas desejam saber realmente sobre ti portanto evita comentários demasiado intimos e não fales dos teus planos. Uma equipa que faz fofocas é má, mas dar matéria para fazer fofocas sobre a tua vida pessoal é ainda pior! 

Se estas 3 dicas são praticáveis elas não vão conseguir salvar-te em todas as ocasiões. As pessoas vão, por vezes, arranjar um motivo de conversa na mesma. No entanto lembra-te que a opinião dos teus colegas ou amigos não te define apenas mostra o que eles são e como se sentem em relação à sua própria vida. 

E por aí sofrem com as fofocas que possam fazer a vosso respeito? Como se protegem delas? Não deixem de partilhar as vossas próprias dicas em comentário para que possamos trocar ideias e ajudar-nos uns aos outros. 

Beijinhos e até ao próximo post.

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Photo by Ben White on Unsplash

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Covid e Emigração

Sempre vivi bem o facto de viver no estrangeiro porque, inconscientemente, sabia que podia estar em Portugal em menos de nada. 

Esta procura constante pela próximidade com o aeroporto foi uma espécie de "ponto positivo" até na escolha da cidade onde vivo atualmente. 

Este ano as coisas estão muito diferentes...

Quando foi dado o alerta de confinamento geral ainda estavamos de férias em Portugal. Voltámos apressados para Lyon, antecipando a viagem por medo do fecho das fronteiras e das necessidades dos nossos serviços respetivos. 

Mal me despedi dos meus. Foi uma despedida meio vazia sem direito a beijos, nem a abraços... 

Com a chegada a Lyon, chegou o "confinamento" às nossas vidas. Cá por casa estivemos os dois "no terreno".

Com o inicio das fases de confinamento começa a falar-se de férias e as fotos com membros da família voltam a abundar, novamente, nas redes sociais. 

Este ano tinhamos previsto uma semana em Julho e três em Setembro. E a eterna questão colocasse: será que vamos poder ir a Portugal

Estas "trancas à porta" estão a ser o mais complicado de gerir... o não saber quando poderemos ver os nossos e o nó na garganta quando pensamos na idade avançada de alguns membros da família... 

A "vida de emigrante" não é fácil. Talvez seja mais fácil a experiência para uns do que para outros dependendo do grau académico, das oportunidades, do conhecimento da língua e da cultura do pais de acolhimento... Nesse caso não me posso queixar. 

Mas esta situação tão particular mostrou, mais uma vez, o difícil que pode ser não se saber quando se verá a família ou os amigos e a incerteza de os encontrarmos a todos lá. 

E se o virus nunca desaparecer ou nunca se criar uma vacina, será que nos manteremos para sempre longe dos nossos? 

As férias? aproveitarei com os devidos cuidados, claro.

E até será engraçado termos alguns dias para isso já que no último ano todas os dias de descanso foram dedicados à organização do casamento e já ando com mil ideias para visitar num raio de 100 Km daqui*. Pelo menos para Julho será assim. 

Mas não posso deixar de salientar a sensação de "pertença a lugar nenhum" que é esta impossibilidade de ir a casa.

Já me disseram que estamos todos no mesmo barco, até pode ser que sim, mas de certeza que uns estão ao leme e outros escondidos num canto no fundo do convés.

*100 Km a "vôl d'oiseau" é a distância atual para viagens permitida pelo governo francês dentro do território, salvo em casos excepcionais claro. 

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Photo by JESHOOTS.COM on Unsplash

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Estar Sozinho

Ou como aprendi a apreciar a minha companhia.

Aproveitar a nossa própria companhia é, provavelmente, das melhores descobertas que podemos fazer ao longo da vida.

Somos seres sociais e, de uma forma geral, precisamos de nós sentir apreciados por quem está perto de nós. Nada de errado com isso, exceto quando essa necessidade de aprovação se torna imprescindível nas nossas vidas.

Eu sou alguém que precisa de relações saudáveis e estimulantes. É com elas que o meu crescimento pessoal é profissional se faz de forma mais produtiva.

Por natureza lido mal com ambientes hostis, ou pelo menos onde a crítica seja fácil. E isso é muitas vezes causa de desmotivação e muito cansaço. Também por causa disso mesmo tenho tendência a tentar ser apreciada a todo o custo o que sempre deu mau resultado.

Uma das grandes conquistas destes últimos meses (aka um ano) tem sido exatamente aprender a apreciar a minha companhia. Mesmo quando tenho à minha volta um mar de gente que me deixa pouco segura.

Não é a minha praia, não gosto de conflitos mas sinto-me mais tranquila e mais segura de mim quando tenho de assumir as minhas diferenças e saber que mesmo estando sozinha terei sempre o meu apoio e a minha companhia. A verdade é que ser capaz de se bastar a si próprio, de se sentir bem na sua própria companhia não têm preço. 

Não digo com isto que tenhamos de ser antissociais, simplesmente que a máxima "mais vale só do que mal acompanhado" é verdadeira. E que muitas vezes mais vale 10 minutos de paz consigo próprio que 30 acompanhado por quem não vale a pena. 

E vocês preferem a companhia de quem pouco vos acrescenta ou são mais do género solitário?

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Photo by Anthony Tran on Unsplash

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