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Crónicas da Cidade dos Leões

Um blog que adora partilhar dicas e reflexões sobre lifestyle, descobertas e organização. Sejam Bem Vindos!

Crónicas da Cidade dos Leões

Um blog que adora partilhar dicas e reflexões sobre lifestyle, descobertas e organização. Sejam Bem Vindos!

O Silêncio é de Ouro!

Sou uma pessoa bastante introspectiva, o que me facilita um certo autoconhecimento, e coloco na ideia de "melhorar" um verdadeiro desafio. Por diversas razões não considero que os nossos defeitos tenham de ser assumidos como "um orgulho" mas sim como uma enorme fonte de motivação para crescermos enquanto pessoas. Claro que também não vale a pena lutar de punhos fechados com eles mas sim ir alterando comportamentos e padrões aos poucos e poucos de forma a nos tornarmos a melhor versão de nós mesmos. 

Fui-me apercebendo que um dos meus maiores defeitos é falar demais. Muitas vezes perco-me em explicações e em pormenores de tal forma que a atenção de quem me ouve acaba por se perder. Vejo-o tanto em casa, com o meu marido e filho, como no trabalho com alguns pacientes. 

Ainda para mais, e na ânsia de falar bastante, acabo muitas vezes por cortar a palavra à outra pessoa o que , para além de chato, é um tanto ou quanto grosseiro. 

Este 2024 já vai praticamente a meio. E nunca é tarde para rever ou adoptar novos objetivos. E apesar de 2024 ainda me trazer vários novos desafios com o nascimento de bebé 2 em Julho, a entrada na pré-escola do grande em Setembro e toda a nova organização familiar que terá de ser colocada em prática parece-me que este traço de personalidade também terá de ter alguma da minha atenção. 

E por aí, como estamos de objetivos para 2024?

Um grande beijinho e até ao próximo post!

 

Liberdade de Expressão, Democracia mas sobretudo Diplomacia

Os termos liberdade de expressão e democracia passaram a fazer parte integrante do vocabulário de uma boa parte da população ocidental. Sendo isso motivo de regozijo, é também uma enorme responsabilidade. Pelo seu peso e importância temos o dever de não as deixar cair nem em demagogia nem as tornar vazias de sentido. 

Viver em democracia significa ser livre de mostrar e de dar a sua opinião mas sempre com condicionantes. Em primeiro lugar respeitar o outro em todas as circunstâncias, em segundo sendo responsável pelo que se diz e faz e finalmente não prejudicando ninguém (excepção feita a casos muito particulares mas que felizmente saem da jurisdição do comum dos mortais). 

Não quero dizer com isto que devemos dizer "sim" a tudo mas antes que enfrentar o adversário com respeito, abertura e argumentos fundamentados é mais eficaz do que gritos, unhas pintadas ou opiniões exprimidas de forma agressiva e inapropriada já que estes últimos valem o que valem e são facilmente "varridos para debaixo do tapete"..

E é aí que entra a diplomacia que é a irmã mais discreta, mas também a mais astuta, das três com que nomeei este texto. 

Segundo o infopedia diplomacia é a ciência e a arte da representação dos interesses de um país no estrangeiro ou da promoção do direito e das relações internacionais. É sinónimo de circunspeção, discrição, finura de trato, astúcia e habilidade. 

Sou uma acérrima defensora da diplomacia na hora de resolver conflitos e de dar voz a causas e acredito no impacto enorme que uma atitude respeitosa, forte e digna têm, considerando-as mais "educativas" e "impactantes" do que o que se tornou banal e comum de assistir por aí.

Dou-vos um exemplo mais apropriado à nossa "micro-escala" e com o qual tentarei ilustrar aquilo que penso: 

"O João é um colega de trabalho. A sua conduta vai contra alguns dos meus principios e valores e as suas ações, por muito que não me sejam dirigidas pessoalmente, lembram-me isso o tempo todo. 

Por muito que me custe sei que o João é um elemento importante na empresa e que o seu valor é inestimável para o patrão, por outro lado assumo que os nossos conflitos são também provocados por mim ou, pelo menos, não faço nada para os ignorar ou minimizar quando surgem tendo mesmo um certo gosto em lançar umas farpas de vez em quando.

A realidade faz com que eu não possa sair daquele emprego apesar de ter de trabalhar com o João quando não tenho vontade de o ver nem pintado."

Posto isto qual o caminho a seguir? Será que é com a adopção de uma atitude grosseira e de choque direto com o João que vou criar condições para a resolução dos conflitos ou é mantendo uma atitude de escuta, com argumentos refletidos e trabalhados e uma atitude forte, digna e empática que terei mais possibilidades de o conseguir? 

Uma das minhas "heroínas" do século XX foi a Rainha Elisabete II, cuja dignidade em todas as circunstâncias permitiu a resolução de várias questões sensíveis. Aliás, das poucas vezes em que falhou o estrago foi visivel...

Claro que cada um de nós terá o seu próprio estilo de agir  mas a postura, a capacidade de passar a mensagem sem criar ainda mais tensão e conflito e a aceitação de que é impossível ganhar em todas as frentes são fundamentais para conseguir passar a nossa mensagem em condições e assim impactar positivamente as coisas. Caso contrário a situação pode ficar ainda mais penosa ou perigosa para os envolvidos o que não era de todo o que planeamos. 

Ter uma atitude diplomata está ao alcance de qualquer pessoa desde que os ingredientes necessários sejam reunidos: a fineza no trato, a adaptabilidade e a capacidade de escutar e de se exprimir na hora certa e pelo meio mais apropriado. Claro que nem sempre seremos perfeitos diplomatas e haverão momentos em que as nossas reinvindicações não serão ouvidas mas em todo o caso seremos seguramente mais eficazes do que muitos gritos que se ouvem por aí e que criam mais tensão do que aquela que já existe...

 

A Minha Mãe e Eu!

Ao longo dos últimos anos escrevi uns quantos posts com ideias de atividades para o Dia da Mãe. Apesar de ser um dia um tanto ou quanto comercial a verdade é que acredito que deve ser festejado não dando prendas caras mas dedicando tempo. 

Este ano, e para mudar um bocadinho de registo, decidi trazer-vos uma reflexão sobre a relação Mãe-Filha. Será que ela tem de ser sempre conflituosa ou pode ser uma relação saudável e estimulante para as duas? 

Para me inspirar nesta reflexão tive o privilégio de escutar alguns episódios do podcast do Dr. Eduardo Sá para o jornal "O Observador". Podcasts esses que vos aconselho absolutamente, sobretudo se problemas familiares e parentalidade fazem parte da vossa vida. Claro que o resto da reflexão advém da minha própria experiência enquanto filha (e atualmente mãe, porque sim a nossa visão muda) e também da experiência de amigas com quem pude discutir sobre o assunto. 

Em primeiro lugar quero deixar claro uma coisa: agora tenho uma excelente relação com a minha mãe. Uma relação que foi construída ao longo dos anos e que, como todas as relações que desenvolvemos ao longo da nossa vida, teve momentos melhores do que outros.

Se é verdade que conhecemos as nossas mães desde sempre, também é verdade que tantos elas como nós evoluímos de forma diferente e pessoal e por isso mesmo uma adaptação é constantemente necessária. E isso é a chave do sucesso de qualquer relação.

No nosso caso somos mulheres à primeira vista diferentes, com experiências de vida diferentes, com caminhos diferentes e com objetivos diferentes.

Nunca me quis ver como cópia da minha mãe pela simples razão de que acredito que a missão da mãe é a de educar, acarinhar e fazer crescer nunca esquecendo que é preciso dar asas para voar e armas para se safar na vida real fora dos braços maternos. Esta visão da maternidade que tenho marcada em mim de forma quase inata é a mesma que repito a mim mesma, todos os dias, agora que também eu sou mãe. 

Apesar de nunca termos falado sobre o assunto de forma assim tão aberta tenho a impressão de que a visão da minha própria mãe é semlhante o que me garantiu um "porto seguro" permanente. 

Se tivemos alguns altos e baixos ao longo dos anos e das diversas fases da vida de cada uma? Tivemos, claro. Da parte dela a tentativa de proteção e uma certa tendência para me tentar guardar em "terreno seguro e conhecido" provocaram-me algumas vezes um certo sentimento de frustração e de incompreensão.

Por outro lado o meu "espírito de contradição", a vontade quase vital de ser autónoma o mais rapidamente possível e, sou honesta, um certo desprezo pelos valores recebidos (que hoje assumo quase completamente como "meus" mas que como qualquer adolescente ou jovem adulta tive uma certa tendência a querer negar) não lhe facilitaram a vida! 

Apesar disso nunca me lembro de termos perdido o respeito uma pela outra, nem mesmo nos períodos em que nos movimentamos em "areias movediças".

A minha mãe teve o mérito de me dar espaço para escolher, errar e aprender com isso, mesmo quando claramente isso não a deixava descansada ou agradada. Eu, por outro lado, nunca deixei de ouvir os conselhos (mesmo os não solicitados) guardando no coração o que era para guardar assim como nunca deixei de assumir as minhas responsabilidades.

Em várias situação acabei por deixar a falta de humildade tomar conta de mim e não procurar o tal "abraço-casa" não porque ele não estivesse lá mas porque queria provar-me a mim mesma que era capaz de lidar com as coisas sozinha. Pelo contrário, sempre que foi solicitada a minha mãe esteve lá para mim sem um vacilo sequer. 

Uma das coisas mais engraçadas é que fora alguma parecença física somos mulheres diferentes: Eu sou provavelmente a mais feminina de nós duas, tenho a cabeça mais atulhada de sonhos grandiosos e de livros e as minhas aspirações são provavelmente mais "mundanas". A minha mãe, pelo contrário, é mais simples e prática, parte quase sempre do principio de que os outros são "boas pessoas", empenhasse na vida comunitária da freguesia onde mora e envolve-se em algumas organizações de uma forma altruísta. É também aquela mulher fiel à palavra família, seja ela próxima ou alargada.  

Ao longo dos anos aprendi a observar também as nossas semelhanças. Muitas vezes aquilo que mais me irrita nela é o espelho de mim própria que me é reenviado. Acho que de certa forma também lhe herdei o gosto de ajudar o outro pelo prazer de ajudar e de ter a casa cheia. Gosto de comer bem e para mim a hora da refeição em família é também sagrada! 

Se vos falo deste caminho percorrido é, não só porque acho que a história que tenho com a minha mãe vale a pena, mas também porque me dou conta da quantidade de mulheres à minha volta que não se entendem com as mães. 

Claro que excluo os casos mais graves em que o afastamento de um lado ou de outro é necessário, mas existem muitos casos em que a procura de perfeição de uma na outra é realmente a causa principal dos problemas. E é com isto na cabeça e a impressão que um certo "passo atrás" permitiria a muitas mãe e filhas de se reencontrarem, reconhecerem, crescerem juntas e admirar as mulheres fabulosas que uma outra são que vos escrevo este texto. 

E posto isto deixo-vos refletir no assunto, partilhar o post com alguém que esteja mesmo a precisar de o "ler" e sobretudo desejar a todas as mães (e filhas) um excelente Dia da Mãe! 

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Photo de Gabriel Tovar sur Unsplash

 

 

Deixem-me pensar pela minha própria cabeça!

Apesar de ter bastante respeito por várias áreas que fazem parte integrante da política, esta última é coisa que não me interessa.

Há uns anos atrás era visto como normal alguém não ter afiliação política e votar pela cara, ou quando muito pelas propostas dos candidatos. 

Hoje em dia a política, ou melhor os interesses dos políticos, embalam-nos na canção do bandido que é como quem diz formatam-nos a pensar como eles culpabilizando-nos por pensar aquilo que pensamos. 

E isso vê-se no dia a dia, quando se tornou estupidamente comum comentar com alguém a beleza do jardim municipal e a pessoa responder "quando era o partido de esquerda/direita" era muito melhor! Ora eu não quero saber como era antes mas aqui e agora o jardim está bonito e isso chega-me. 

A lenga lenga continua com a comunicação social e as redes sociais, que de social não tem nada, que passaram a ser veículos de transmissão de pensamento ideológico. E para ajudar é o tempo de antena dado a tal e tal organização, todos defensores acérrimos da liberdade de expressão e da democrática desde que isso não vá contra os seus próprios interesses, porque quando não lhes agrada saí o racista, o fascista, o esquerdista, o marxista e todos os istas possíveis e imaginários. 

Ora meus amigos, há bons e maus em todo o lado e se Deus nos forneceu algo tão maravilhoso como um cérebro é seguramente para o usarmos... O que convenhamos nem sempre é fácil porque implica refletir, errar, repensar e assumir a responsabilidade do que daí vem. 

Até os Senhores Jornalistas se atrevem a "dar sermões" e a isenção é cada vez mais esquecida. E os algoritmos e os "papagaios" que repetem tudo o que ouvem sem pensar. E os iluminados que acham que só eles detem a verdade e que manipulam à direita e à esquerda. 

Só gostava que parassem de me atirar areia para os olhos e de me tentarem manipular como se eu tivesse cinco anos. E nesta paranoia em que tudo é política e polaridade só vos peço uma coisa: deixem-me pensar pela minha própria cabeça! A mim e a todos aqueles que tem vontade disso... Obrigado!

hal-gatewood-OgvqXGL7XO4-unsplash.jpgPhoto de Hal Gatewood sur Unsplash

Mais "pudor", por favor!

Na passada Sexta-feira, uma colega chegou à nossa sala comum durante o tempo de almoço. Vinha de uma consulta médica em que lhe foi dada mais baixa devido a uma fratura.

O seu estado de espírito meio "choramingão": aborrecida mais com as circunstâncias, o facto de não puder fazer o que gostaria e das dores do que de tudo o resto. 

Conversa puxa conversa, enquanto "deitava cá para fora" toda a sua mágoa e frustração sairam-lhe da boca para fora várias queixas sobre o marido e os filhos. 

Quem não sabe o que é estar mal na sua pele e dividir casa com essas pessoinhas que nos podem levar de um extremo ao outro em menos de nada que atire a primeira pedra! Sobretudo quando o cansaço, o stress e a excitação do outro lado estão também em nível elevado. 

No entanto o que se seguiu não deixou de a surpreender: uma enxurrada de críticas ao marido que, "como todos os homens" é um incapaz e as crianças umas ingratas como aliás são todas também.

Nenhuma das pessoas que falou parou um segundo que fosse para pensar em como o estado emocional dela podiam estar a fazê-la ver as coisas de um ângulo bem mais negativo e penoso do que o que realmente se passa lá em casa. E que não é assim que se ajuda ninguém. 

Ainda há uns meses atrás uma outra colega, mãe de dois adolescentes e cujo marido trabalha bastante (o que se diga de passagem permitiu à família comprar uma casa num dos bairros mais cobiçados da cidade) me dizia que começava a ficar farta dos comentários mais ou menos azedos de certas colegas sobre os horários de trabalho do marido e à incompreensão total de que, apesar de nem sempre ser "agradável" era esse o funcionamento deles enquanto casal e a forma como decidiram lutar pelos seus objetivos familiares: ele com o trabalho (e consequentemente o dinheiro que faz entrar em casa) e ela com a escolha que fez em ter um emprego com horários mais clássicos mas podendo estar mais disponível para os filhos, sobretudo na gestão do dia a dia.

O problema é que se tanto se sabe sobre a vida comum e as dificuldades que um e outro enfrentam é porque ela fala nisso também, e mais do que devia claramente... 

Estas duas histórias têm um ponto em comum: o facto de as pessoas se confessarem à primeira orelha sem colocarem em causa a intenção e a disponibilidade de quem escuta.  

Se, por vezes, precisamos de desabafar com alguém, o que é humano, temos a obrigação para connosco próprios e para com os visados de escolher com quem o fazemos. Alguém da nossa extrema confiança e cujo bom senso e lealdade nos suportem, nos encoragem e nos permitam ver as coisas por um "outro ângulo". 

E é nestas ocasiões que uma certa reserva são benéficos, já que nos protegem de comentários que, baseados numa boa intenção ou não, nos podem ferir ainda mais e ainda nos arriscamos a tornar a nossa intimidade familiar o próximo tema de conversa "da máquina de café". 

Escusado será dizer que podem haver situações mais extremas e que precisamos mesmo de falar nelas mas, mesmo aí, o conselho de alguém de confiança continua a ser mais útil do que a "logorreia" de três ou quatro pessoas "bem pensantes" que estão mais preocupadas em ouvir-se a si próprias do que em ouvir e apoiar quem realmente precisa! 

E depois desta Sexta Feira só me apraz levar as mãos aos céus e dizer: Mais "pudor", por favor!

verne-ho-VIO0tyzXL4U-unsplash.jpgPhoto de Verne Ho sur Unsplash

E onde anda o estilo de cada um?!

Por viver no centro de uma cidade de periferia encontro muitos miúdos com idades de terceiro ciclo e secundário seja na rua seja nos transportes públicos.

Entre os fones nos ouvidos, os iPhones na mão e as roupas parecem todos exatamente iguais, quase nem se distingue quem é quem. 

Relembro-me de mim com essa idade. Apesar de gostar de coisas "da moda" nunca reneguei (nem conseguiria) o meu estilo coquete e feminino.

De uma forma geral as minhas colegas e amigas tentavam fazer o mesmo. Podíamos até comprar na mesma loja mas o estilo de cada uma estava mais ou menos marcado. 

Os que cruzo por aqui não!

Numa altura em que muito se critica a decisão da França de optar pelo uniforme escolar é impossível não me deparar com o seguinte pensamento: de uniforme e todas iguais já eles andam! São as calças de fato de treino e as sweatshirts desportivas faça frio ou faça Sol. De preferência de cor preta, ou cinzenta... ou o mais neutro possível.  

E pergunto eu: onde raio anda aquela vontade de afirmação tão digna destas idades? Será que se afirmam todos da mesma maneira ou nem se dão a esse trabalho?

O meu questionamento ainda vai mais longe quando, à volta, os adultos se vestem de forma similar... E ao fim de quarenta pessoas vestidas de forma semelhante, quase indistinta, desisto de observar e sigo a minha vida.

E assim se parecem todas estas pessoas, ainda mais fechados pela cabeça metida "dentro do telemóvel" e que parecem incapazes de se dar conta de como, ao querer provavelmente sair da caixa, estão mais encurralados nela do que nunca!

Sendo uma apaixonada por moda e uma defensora da feminilidade ainda me foco mais nas jovens, nas senhoras de amanhã, que quando não usam este uniforme de invisibilidade (que tentam realçar com uma quantidade de maquilhagem digna de um anúncio publicitário) vestem-se de forma extremamente sexy: são os blazers sem nada por baixo ou os decotes extremos, que numa mulher de vinte e poucos até passam bem mas que numa miúda de 12 deixam no ar a dúvida: será que aquela noção de equilíbrio e de "sugerir sem mostrar" também ficou lá no século passado e as novas gerações ignoram esses antigos preceitos ou estão tão embebidas pelas Kardashian deste Mundo que acham mesmo que a única coisa porque valem a pena é o corpo?!

E num gesto quase de revolta dou por mim a puxar para o lado oposto. A dar o tudo por tudo naquilo que cada um de nós merece: um estilo próprio, cores alegres, cabeça alta e um sorriso na cara e sobretudo ocupar o seu lugar no mundo, com tudo o que de bom ou de dificil isso trás.

Um grande beijinho e até ao próximo post!

Fonte da imagem: https://juliaberolzheimer.com/2017/05/shopping-in-tulum/

Dois anos e meio de maternidade: O balanço

"Festejei" o mês passado os meus primeiros dois anos e meio neste caminho da maternidade. O balanço geral é excelente tanto que contamos repetir a experiência daqui a alguns meses. Mas existiram alguns altos e baixos pelo caminho e é deles que fala este post. 

Espero que gostem, que compartilhem as vossas experiências e que o façam chegar a uma futura ou recém-mamã que precise de um incentivo. 

 

- É verdade que nada será como dantes... mas isso não é necessariamente mau: 

Dizem-nos muitas vezes que depois do nascimento do bebé nada será como dantes. É verdade que a disponibilidade para muitos outros aspetos da minha vida foi reduzida e que o equilíbrio entre o novo papel de mãe e todas as outras facetas da minha vida foi difícil a conseguir. No entanto aquilo que na altura considerava um "dano colateral" considero hoje como uma simples readaptação das coisas: o pouco tempo que temos em casal é mais intenso e mais bem aproveitado, os amigos que se afastaram seguiram os seus percursos de vida e as amizades são assim mesmo, as atividades que mantive são mesmo aquelas que me "enriquecem" e tornei-me muito mais eficaz na maioria das atividades que exerço. 

 

- O Parto é só o início de tudo: 

À força de querermos falar de tudo "sem tabus" acabamos por esquecer que há muitos "tons de cinzento".

Aconteceu-me isso com o parto. E li tanto sobre o preparar para o parto e o como recuperar rápido do parto e sobre o famoso pós-parto que me esqueci do que esse momento significava. 

E acreditem que, apesar de não poder dizer que foi o momento mais agradável da minha vida, não foi, em todo o caso para mim, o pior deste caminho todo. Claro que contei com o apoio incondicional do meu querido marido e da equipa médica que foi excelente. 

 

- Aceitar as escolhas da criança é desafiante: 

Com dois anos e meio o meu filho não toma decisões muito "importantes" mas, dentro do que nos parece sensato, tentamos deixa-lo fazer escolhas controladas. E já assim acho complicado de aceitar as suas escolhas em relação ao livro (que a mãe até nem gosta muito) mas que era totalmente correto e que ele escolheu na biblioteca, do facto de ele reclamar do cheiro do novo gel de banho que usamos para a sua pele atópica e da camisola que quer vestir e que é sempre a mesma. 

Digo-me a mim mesma que tenho muito trabalho para me preparar para quando as suas escolhas forem mais complexas. 

 

- Sofás brancos numa casa com crianças SÓ MESMO no instagram: 

Se ainda não desisti de ter a casa mais ou menos limpa e arrumada, já percebi há algum tempo que a "limpeza imaculada" é incompatível com uma casa de família. Por isso, e como renuncio a passar trinta vezes por dia o aspirador e a impedir o miúdo de usar para o sofá ou molhar tudo durante a lavagem dos dentes, acabei por me conformar com isso. E a verdade é que, quando o quarto dele não está virado do avesso mal chega da creche, é porque está "a chocar alguma". Por isso viva a desarrumação!

 

- Ninguém te conta tudo... mas conversar com outras mães pode ajudar: 

Queixava-se uma amiga recém mãe que nunca lhe "contaram que era assim". É um facto que escondemos, de forma mais ou menos voluntária algumas das nossas derrotas ou dificuldades. No entanto, ir direito a algumas mães mais experientes e que estão disponíveis para falar abertamente e aconselhar é muito bom. Em primeiro lugar porque alguém já enfrentou aquele problema com um dos filhos e segundo, mesmo que nem todos os conselhos sejam bons, há ideias que podem ser aproveitadas e adaptadas aos nossos. 

Mas atenção à escolha das pessoas em quem confiamos! 

 

- Divisão de tarefas a 100% não funciona: 

Ou em todo o caso connosco não funcionou. Passo a explicar: entramos neste caminho da paternidade com a ideia de que tínhamos de dividir tarefas de igual para igual. Caricaturando as coisas era mais ou menos numa do "agora mudas tu a fralda, daqui a pouco mudo eu". No entanto esse método em vez de nos ajudar acabou por nos prejudicar bastante. 

Com o tempo, e algumas discussões depois, acabamos por enveredar pelo caminho das "duas equipas", cada uma gerindo o que faz melhor e ajudando-se entre si. Um cozinha enquanto outro dá banho, um gere as consultas médicas e os horários da creche enquanto o outro vai deitando um olho ao que é preciso juntar na próxima lista de compras... e por aí fora. Participação das duas partes sim, mas sem cair em extremismos porque com eles nada vai para a frente! 

 

derek-thomson-M1jCmRxO7cY-unsplash.jpgPhoto de Derek Thomson sur Unsplash

Reflexão sobre o Dia dos Namorados

Nunca comemorei o Dia dos Namorados. Adolescente, quando a associação de estudantes da escola organizava o correio dos namorados e a entrega de flores, era para mim uma tortura. A espera da carta ou da flor que o dito cujo nunca enviava. Felizmente havia sempre aquela amiga que encomendava uma rosa branca da amizade o que tornava o mês de Fevereiro muito mais fácil de viver. 

Confesso que depois disso, e ao longo dos anos, este dia acabou por me ir passando um bocadinho ao lado. Até que, desta vez e sem saber bem a razão, acabei por me colocar várias questões sobre ele. 

Como muitos dizem, e dou-lhes razão, o Dia dos Namorados tornou-se demasiado comercial. São as marcas que, mal acabam os saldos, nos entram pelos olhos dentro com mil presentes para comprar, são os restaurantes e hotéis cheios com menus nem sempre interessantes ou extremamente caros, são os corações e os ursinhos de peluche que pouca utilidade têm, exceto se a pessoa for fanática por eles claro. 

Por outro lado, e se nos conseguirmos desligar disso, o Dia dos Namorados (ou chamemos-lhe antes Dia de São Valentim que dá um aspeto mais credível à coisa) pode ser vivido de uma forma menos comercial e mais pessoal. 

A nossa vida é corrida, temos sempre mil coisas para fazer e parece-me mesmo muito importante que possamos contar com um dia que nos permita centrar-nos no que nos importa, neste caso as nossas relações. 

Ter um momento para conversar, para recordar o passado e sonhar com o futuro é a base para uma relação estável e com garra de avançar. E se isso passa por oferecer coraçõezinhos de peluche porque não? Mas que não sejam eles o principal foco da data. 

Por isso, e apesar de continuar a achar desagradável a quantidade de coraçõezinhos que nos assolam todo ao longo do mês de Fevereiro, considero que esta data e a lembrança que ela traz é importante para manter as relações estáveis e saudáveis. Podemos no entanto optar por não o festejar exatamente neste dia. E quem sabe fazer isso mais do que uma vez por ano... 

Um grande beijinho e até ao próximo post!

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Photo de Birgith Roosipuu sur Unsplash

 

Ser Exemplo

Cada um de nós pode ser um exemplo para alguém. Talvez não um exemplo grandioso, até porque esse poderia servir sobretudo a nos tornar orgulhosos, mas um exemplo discreto e modesto na vida de todos os dias. 

Sabesse lá porquê sonhamos sempre com grandes coisas. Mas para isso é preciso começar por pequenos passos e ser resiliente neles. Porque a rotina e as dificuldades diárias são as mais desgastantes e dificeis de lidar. E nem todos somos feitos para mudar o Mundo ou governar um país, mas todos temos responsabilidades na nossa família, no nosso círculo de amigos, na nossa comunidade e em todos os "grupos" dos quais fazemos parte. 

E ser exemplo também não quer dizer ser hipócrita ou mentir. Lá porque tento ser um exemplo para alguém não quer dizer que esconda os meus defeitos nem as minhas dificuldades, no entanto também não quer dizer que deva espalhá-los ao Mundo como se fossem uma fatalidade ou pior ainda um "se eu sou assim porque é que hás-de ser diferente?". 

Que sejamos um exemplo de pequenos atos: um sorriso cortês, uma porta aberta para alguém passar, um "bom dia", "se faz favor" e "obrigado". Que sejamos exemplos no cuidado conosco próprios cabelos penteados, roupa limpa e unhas cuidadas. Que sejamos exemplos de humanidade fazendo realmente alguma coisa e não nos limitarmos a gritar aos quatro ventos e a fazer partilhas à direita e à esquerda. 

E que saibamos também guardar e meditar todos os bons exemplos que estão à nossa volta no nosso coração. Só assim seremos bons exemplos quando chegar a nossa vez! Porque na verdade nunca saberemos onde e quando podemos ser nós o exemplo!

Um grande beijinho e até ao próximo post!

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Photo de Fa Barboza sur Unsplash 

Ode aos meus pais!

Se os meus pais cometeram erros comigo?! Com certeza... mas sempre se esforçaram para me dar o mais apropriado com o máximo de esforço e a melhor informação que tinham na altura.

Os meus pais foram muito exigentes comigo mas foram também o meu primeiro grande exemplo de trabalho, de espírito de sacrifício e de sentido de missão. Nunca me pediram um esforço que não estivessem eles dispostos a fazer com pelo menos três vezes mais de esforço. E se esse ensinamento é duro a dar e a receber, a verdade é que é enriquecedor! 

Os meus pais dão-me conselhos e opiniões que eu não lhes peço mas foram os primeiros a dar-me espaço e "armas" suficientes para pensar pela minha cabeça e decidir por mim própria.

Os meus pais nunca foram à universidade mas nunca se esqueceram de me ajudar e apoiar em todo o meu percurso escolar assim como nunca me deixaram esquecer (e não se deixaram esquecer) que a vida não é só escola, nem só festas e amigos. Sacrificaram-se bastante por me dar também uma boa educação social, cultural e artística.

Os meus pais deram-me vários exemplos que nem sempre são fáceis de viver no dia a dia. A minha mãe sempre me ensinou que a simpatia e a gentileza são poderosas e que o respeito é devido a toda a gente seja velho ou novo, rico ou pobre

O meu pai "obrigou-me" desde cedo a assumir as minhas responsabilidades simplesmente por me fazer confiança. Ensinou-me também o valor do trabalho e da resiliência e que o que é imediato não é necessáriamente durável.

Mas apesar de estarem um bocado "fora de moda" quem me dera ser capaz de transmitir estes valores ao meu filho num mundo onde eles são tão necessários e se perdem...

Os meus pais não são perfeitos mas são os melhores pais que eu alguma vez podia ter tido!

 

 

 

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