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Crónicas da Cidade dos Leões

Um blog que adora partilhar dicas e reflexões sobre lifestyle, descobertas e organização. Sejam Bem Vindos!

Crónicas da Cidade dos Leões

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O Simbolismo da Páscoa

Gosto da Páscoa. Gosto das recordações que tenho dos almoços em família e das caças aos ovos improvisadas que as minhas tias imaginavam. 

Gosto do cheiro a Primavera que já anda no ar e das temperaturas que, mesmo em dias chuvosos, costumam ser mais amenos. Gosto das tradições, das visitas aos padrinhos, das missas da Semana Santa e daquelas amêndoas lilases nas quais já não toco à anos. 

E tudo isto entra no meu Simbolismo de Páscoa e que tento reproduzir todos os anos. A mesa composta e a comida deliciosa como se fosse uma homenagem à minha avó que tanto gosto tem nestes momentos. As flores presentes e alguns doces. 

Numa época em que parece efémero, em que tudo o pessimismo nos vence e na qual as notícias são tão pouco animadoras acho ainda mais importante ressuscitar, e criar, memórias de momentos felizes. E nem é preciso muito...

Não é preciso chocolates a preços exorbitantes ou decorações ou cozinhados mirabolantes, exceto se isso nos faz feliz e aí cada um faz o que quer e ninguém tem nada a ver com isso. O que é preciso é entrega, disposição e tempo. Vontade de estar junto e muito amor para dar seja numa família de 2 ou de 10

Porque acredito que é no amor aos nossos que ganhamos força e motivação para levar amor a quem e ao que está à nossa volta. E se, de facto, não vamos conseguir acabar com uma guerra ou com a fome no Mundo seremos com certeza capazes de reconstruir pessoas, começando pelo coração de quem sofre. 

Votos de uma Santa Páscoa para todos!

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Visionboard 2022 #Atualização de Abril

No inicio do ano falei-vos do meu visionboard para 2022.

Agora, que os quatro primeiros meses do ano já estão quase a acabar era grande tempo de o atualizar.

Se 2022 não começou nada fácil a verdade é que este quadro de visualização me ajudou a manter o foco.

Nunca me lembro de me recordar exatamente das linhas condutoras que pretendia seguir ao longo do ano, e na minha vida de forma geral, como desta vez e estou espantada com a forma como "ver" me ajuda a avançar.

Alguns destes objetivos estão "em marcha", outros aspetos que precisavam de ser encaminhados, estão também.

O mais engraçado é que posso monitorizar o meu próprio crescimento com base nisto e juntar-lhe aos poucos o que quero, me motiva e tenho de fazer.

Se não acredito em soluções milagrosas e em resoluções de ano novo e desde há muito tempo procuro "auxiliares" para me motivar melhor (sem exageros, claro) encontrei aqui algo que funciona para mim, curiosamente mais do que as "to do list" de que tanto gosto.

E por aí, como corre este ano? Onde andam as vossas resoluções de Ano Novo?

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Arco-íris de mil cores

A maternidade consegue colocar do avesso a vida de qualquer pessoa. E se de um lado há um cansaço que se acumula e que é difícil de gerir, especialmente ao início, por outro lado traz momentos muito intensos e aprendizagens gigantes. Comparo a minha ainda recente condição de mãe a ser submersa por uma onda gigante que parece nunca ter fim. 

Não posso deixar de confirmar que o meu filho é a melhor coisa que tenho no Mundo. Os seus sorrisos, gargalhadas, conquistas e deslumbramentos têm em mim um efeito tónico especial e completamente inédito. Mas a maternidade, para além de me ter transformado em "Mãe" também mexeu intensamente na minha feminilidade.

Sem pensar muito direi que me tornei mais forte mas ao mesmo tempo mais protetora em relação a quem amo. Passei também a tentar ser mais corajosa e justa com o que se passa à minha volta. 

Aprendi a aceitar o meu corpo, mesmo com as suas imperfeições. Afinal ele conseguiu dar vida e isso já é mais do que motivo para sentir gratidão. (re)Aprendi e (re)descobri o prazer de escolher o que vestir, como me maquilho, como me cuido... afinal a imagem que quero ter é também a imagem que lhe quero transmitir a ele. 

Ser mãe ensinou-me a relativizar, a aceitar as muitas tonalidades de cinza que existem. A procurar beleza em tudo, mesmo tendo consciência de que nem sempre o Mundo seja tão belo como gostaria. E daí nasce uma crença, como uma força destrutiva que me faz acreditar que é o amor e a beleza que podem trazer reais mudanças no Mundo. 

Ser mãe desenvolveu-me a paciência e capacidade de compreensão. E mostrou-me que, mesmo quando não sou nem tão paciente nem tão compreensiva como gostaria, sou tão digna de perdão como qualquer outra pessoa. 

Ser mãe ajudou-me a redescobrir-me e a assumir aquilo que quero e gosto, custe o que custar. A aceitar o que não pode ser mudado para já e a fazer-me mais confiança do que nunca.

Ser mãe não transformou a minha vida em azul, nem em rosa. Fez dela um arco-íris de mil cores em que todas elas fazem partes juntas.

E se não é preciso ser mãe para mudar, no meu caso foi uma enorme transformação).

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Photo by Oleg Ivanov on Unsplash

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To do List de Primavera

Se a Primavera chegou no calendário, está a demorar um pouco mais a aparecer e a trazer consigo aquela sensação de novo e de vitalidade que tanto aguardamos depois dos meses de Inverno. 

No entanto, e enquanto esperemos que o bom tempo e as temperaturas amenas estejam de volta, decidi criar uma To do List de Primavera e como não podia deixar de ser trago-a aqui para o blog. 

Espero que estas meus pequenos objetivos, mesmo que simples e despretensiosos, vos motivem e vos inspirem a desfrutar desta estação e da sua beleza. E tanto que precisamos de beleza e amor neste Mundo.

- Decorar a Casa para a Primavera: Eu, que adoro estar em casa, tenho-me sentido um bocadinho "mal" com a minha nos últimos tempos e, por essa mesma razão, gostaria de a decorar para a Primavera e trazer as boas ondas cá para dentro;

- Passear num jardim florido com o bebé: Aproveitar esta época do ano para redescobrir os jardins da cidade, dando a conhecer novas cores e cheiros ao meu filho e deslumbrar-me ao ver as suas reações;

- Desfrutar de uma Esplanada: Entre confinamentos e gravidez, os últimos anos foram pouco dados ao "dolce fare niente" numa esplanada. E eu, que gosto tanto desses momentos, espero poder aproveitar dele este ano;

- Retomar os passeios e os piqueniques: Se os quilómetros de floresta não são possíveis com o pequeno aguardo ansiosamente os belos passeios tranquilos e os piqueniques ensolarados; 

Rever amigos: Os últimos anos foram escassos em ocasiões para encontrar os amigos. E se bom tempo rima com mais disposição e disponibilidade espero que esta Primavera venha carregada de oportunidades de convivio e de matar saudades;

Reajustar o Guarda-Roupa: Se este tem sido um desejo para este ano, que vos explicarei brevemente num outro post, a Primavera será a ocasião perfeita para redescobrir os meus queridinhos dos bons dias e trazer mais alguns, se tudo correr bem.

E desse lado quais os elementos da vossa To Do List de Primavera? O que é que tem mesmo de fazer agora que o bom tempo está quase de volta? 

Um grande beijinho e até ao próximo post!

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8 coisas a que comecei a dar valor depois dos 30

Durante este pequeno interregno aqui no blog, fruto de alguma falta de disponibilidade mental, festejei os meus 34 anos. 

Adoro fazer anos. Sinto cada aniversário como uma benção e diverte-me "olhar para trás" e perceber o quanto evolui, o quanto cresci e tudo aquilo que fui ganhando e perdendo ao longo que o tempo passa. 

E foi num desses momentos de reflexão sobre o evoluir da vida que, em conversa com uma amiga, tentamos nomear tudo aquilo a que começamos a dar mais valor depois da entrada nos "intas".

Entre gargalhadas e reflexão filosófica q.b. chegamos a este resultado. Espero que esta pequena lista vos divirta...

 

"Prefiro ter Paz a ter Razão": 

Não concordo totalmente com esta frase mas admito que reconheço que tem mérito e dediquei alguma energia nos últimos anos a aprender a aplicá-la através da escolha das "guerras" que quero realmente ter.

Porque não vale a pena lutar sozinho para se mudar o Mundo e há alturas em que o melhor é virar costas e poupar a energia para o que vale mesmo a pena;

 

A distância de fofocas: 

Admito que, há uns anos atrás, dava tudo por uma boa fofoca. Talvez porque a minha forma de vida e relações mudaram muito ao longo dos anos, hoje prefiro guardar a distância e fujo a sete pés da pessoa que começa a frase por "sabes o que ela fez?". Porque aprendi que "nas costas dos outros vejo as minhas" à minha própria custa. 

 

Casas de banho limpas... e bem decoradas: 

Este ponto é um dos que mais deu azo a gargalhadas mas a verdade é que quase todas as "pós-trintonas" que conheço (sobretudo mulheres) tem este sentimento estranho por casas de banho. 

Se aos 20 gostamos de casas de banho limpas, aos 25 passamos a ser mais esquisitas e aos 30 somos sensiveis a uma casa de banho bonita e bem decorada! 

 

"Menos é Mais"

Nos últimos anos o "Menos é Mais" entrou em cheio na minha vida. Seja na minha forma de vestir, nas relações, nas saídas... sou cada vez mais adepta desta forma de ver a vida. Porque a qualidade compensa sempre mais do que a qualidade.

 

Comer com Prazer

Há uns anitos atrás adorava uma boa jantarada fora e não perdia uma oportunidade. Hoje saiu de casa para comer algo ou num sítio em que valha mesmo muito a pena. Senão prefiro comer por casa escolhendo os produtos e as bebidas pela sua qualidade.

Sempre na ótica do "Menos é Mais" (e consciente do facto de o maridão ser um cozinheiro de mão cheia ajuda). 

 

Chamadas (em vez de mensagens escritas): 

Desde há alguns meses para trás sinto mais vontade de falar com as pessoas em vez de enviar uma simples mensagem. Se houve coisa que percebi é que há medida que as responsabilidades se acumulam e a vida vai mudando as pessoas que "valem a pena" começam a contar-se pelos dedos e por isso merecem essa atenção especial. 

Na falta de tempo para as chamadas, entre as vidas um bocadinho corridas, tento previligiar as mensagens vocais já que as acho mais "personalizadas"; 

 

As verdadeiras amizades: 

Se foi os trinta, o Covid ou os dois apercebi-me que não são aquelas pessoas que te parecem mais disponíveis as que te dão realmente tempo de antena Quem nunca sentiu que o seu papel era apenas a de ouvir o interlocutor falar em voz alta?

Às vezes são aqueles amigos que te parecem mais distantes mas que estão realmente lá para ti quando estão contigo os que mais importam. E reconhecer isso sem se esgotar a enviar mil mensagens vazias de sentido e a esperar atenção da outra parte é realmente libertador!

 

E por ai, quais as pequenas coisas a que começaram a dar mais valor depois dos 20, 30, 40...? 

Um grande beijinho e até ao próximo post!

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Photo by Amy Shamblen on Unsplash

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5 Coisas em que o Instagram é útil

Com as notícias negras dos últimos dias e alguma ansiedade que me tem rondado o espírito cair na facilidade de ocupar a cabeça rapidamente através das redes sociais tem sido comum. E o instagram a "distração" principal. 

No entanto, e apesar de tudo o que há de menos bons nestas plataformas, existem também alguns pontos a seu favor. E é por isso que hoje vos trago "5 coisas em que o instagram é útil"

- Reconhecer um lugar: Quem nunca foi convidado para ir a um novo local ou a um evento XPTO e ficou com o eterno dilema do "o que é que vou vestir?". Pois é, sejamos homens ou mulheres, estas duvidas assaltam-nos especialmente quando falamos da esfera profissional ou mesmo pessoal/familiar. 

O instagram é, nesse caso, um bom aliado já que nos permite ver não só as fotos do local ou do evento mas também, em alguns casos, as fotos de quem já lá esteve. 

 

- Escolher um presente: Escolher um presente para alguém pode ser mais fácil se tivermos acesso às suas redes sociais. O que gosta de fazer, como se veste, quais as suas cores preferidas entre outras informações podem ser fundamentais para escolher o presente adequado.

E quem não gosta de oferecer um presente apreciado? 

 

- Rir: Nesta altura do campeonato uma boa gargalhada pode salvar-nos de cair no medo e no terror sem parar. E se há coisa que podemos encontrar por este instagram fora são coisas engraçadas que nos podem ajudar a relaxar. 

 

- Encontrar inspiração: O instagram pode ser uma mina de ouro no que diz respeito a receitas, a dicas variadas e a inspirações de todo o género (desde que bem escolhidas, claro). E a opção de guardar as publicações que nos interessam podem ser muito úteis neste caso. 

 

- Seguir quem nos faz bem: Este ponto é a chave para usar convenientemente uma rede social.

Seguir sem parar pessoas ou páginas que nos deixam ainda mais ansiosos, culpados e com maus sentimentos é o pior que podemos fazer por nós, pelos nossos e em consequência pelo nosso pequeno espaço de Mundo.

Se pelo contrário seguirmos quem nos inspire, nos motive e com quem nos identificamos tornará esta página uma forma de nos mantermos motivados e conectados a pessoas com vidas reais, semelhantes às nossas. Com problemas e perguntas semelhantes mesmo que, é certo, mostrem o lado melhor através das suas fotos e posts

 

E por aí, que utilização fazem das redes sociais? 

Um grande beijinho e um bom mês de Março

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25/02/2022

Sentada no sofá, com um chá na mão, é impossível não refletir aos acontecimentos destes últimos anos. Como todos os anos que ficaram marcados na história, continuamos a lidar em primeira mão com os acontecimentos que lhes dão origem. 

Em primeiro chegou uma pandemia que nos tornou escravos de restrições e de medos, que impediu toques e beijos e depois um possível conflito armado tão perto de nós e que nos deixa a todos num estado de ansiedade e desassossego. 

Não falo da Ucrânia nem da Rússia, nem da Crimeia nem dos tratados rompidos porque sei que os meus conhecimentos em geopolítica são escassos e não me apetece ser mais uma a deitar palpites para o ar. Que comente quem sabe...

No entanto, enquanto se partilha nas redes sociais palavras de apoio à Ucrânia e apelos à paz não consigo deixar de olhar com curiosidade para quem está por trás de cada clique. 

Todos os dias nos deparamos, e entramos, em pequenas guerras pessoais. São os mexericos no trabalho, a tentativa de influenciar a opinião de outrem ou mesmo o olhar para o lado perante as dificuldades de outra pessoa (se não é comigo porque me meto?). 

A verdade é que nós, comuns mortais, podemos fazer pouco pela Ucrânia, pelo Afeganistão ou por todos os outros países que estão, estiveram e estarão em guerra. Somos demasiado pequenos para isso e os nossos atos de pouco servem assim como as nossas palavras.

Mas continuamos a deter algo de maravilhoso e que pode acabar com muitas guerras, a começar pelas do dia a dia: o amor aos outros, o levantar a voz na altura certa e a não calar perante uma injustiça, o educar as crianças e jovens que conhecemos nesse sentido.

Porque a nossa única arma é a de ser solidário com quem está perto de nós, é de mostrarmos compreensão com quem está triste e empatia por quem parece estar fora do seu lugar neste mundo de loucos onde nós vivemos mas que, para o bem ou para o mal, é o nosso. 

Não gosto da frase "Não aprendemos nada"... porque aprendemos e muito ao longo dos anos... simplesmente esquecemos tudo com demasiada rapidez e teimamos em querer apagar e esquecer as partes dolorosas da nossa história... talvez porque sejam dolorosas e nós não gostamos, nem sabemos, lidar com a dor e as feridas abertas.

Que cada um de nós possa plantar todos os dias uma semente de amor, por mais pequena que seja, e que a paz cresça e se expanda por este Mundo fora. 

Que hoje seja o dia de arregaçarmos as mangas e passarmos à ação. 

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Sabes filho...

Sabes filho um dia vais perceber que as pessoas que mais amas podem ser as que mais te magoam. E que tu também as magoarás quando chegar a tua vez. 

Também vais aprender que a confiança é fundamental mas que ainda preferimos omitir ou esconder cheios de boas intenções mas claramente enganados. 

Vais conhecer gente maravilhosa sozinha, colocada de lado, e gente sem eira nem beira seguida e aclamada por grupos de pessoas... a ti de perceber quem realmente interessa. Se aquele que todos seguem por ignorância ou se aquele que não se deixa ir na cantiga de todos. 

Serás com certeza surpreendido pela negativa exatamente quando e por quem menos estavas à espera mas em contrapartida a vida encarregar-se-à de colocar no teu caminho quem precisas, mesmo que isso nem sempre te pareça óbvio. Terás de abrir os olhos e o coração e dar muitas vezes o corpo às balas para ver quem aparece. 

Sabes filho, toda a gente tem como objetivo de vida "ser feliz" mas esquecem-se que só pode haver flores na Primavera se o Inverno for suficientemente chuvoso para isso. Que todos queremos ser boas pessoas, empáticos e frontais mas que nos afogamos tantas vezes no nosso dia a dia e no nosso ego e não estamos tanto aí para quem está à nossa volta quanto gostaria. 

Sabes filho, vou de certeza errar muitas vezes. E vou também desiludir-te e perdoar-te sempre que quem foi desiludida fui eu. Não te vou proteger de tudo, não que não o queira, mas porque há aprendizagens que só se podem fazer sozinho e indo de frente contra a parede. 

Sabes filho, aquilo que te digo pode parecer frio e insensato, mas o meu único objetivo é fazer de ti o melhor de mim... e de preferência bem melhor do que eu! 

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Photo by Kelli McClintock on Unsplash

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3 vezes em que "mordi a língua"

Adoro a expressão "morder a língua" já que dá uma ideia muito visual daquilo que fazemos tantas e tantas vezes: engolir os nossos "eu nunca" de uma forma absolutamente espantosa... 

O que vos proponho hoje é uma viagem pelos principais "eu nunca" que fui dizendo ao longo dos anos e a realidade atual... em que mordi a língua forte e feio. Porque é sempre saudável rir das certezas que acabamos por deixar cair a terra... e aprendemos imenso com isso. 

Preparados?

- "Emigrar não é para mim" - Acabei a licenciatura na altura em que os primeiros membros da mais tarde batizada "geração à rasca" saíram do pais. Apesar de o assunto ser atual na altura nunca tal coisa me passou pela cabeça, afinal nunca "abandonaria a luta". 

Não muito tempo depois, e por razões óbvias, comecei a ver alguns colegas a pegarem nas malas e a partirem eles também. Nessa altura as minhas convicções eram menos rígidas mas continuei a dizer alto e bom som que "emigrar não é para mim". 

Mais ou menos um ano depois de visitar uma amiga em Paris e de reforçar a minha ideia inicial de que não era feita para aquela vida tive eu própria vontade de abraçar a aventura... que quase oito anos depois ainda dura! 

 

- "Se me juntar não me caso" - Esta é quase uma piada privada cá em casa... 

A verdade é que tendo crescido num meio rural a ideia de ver alguém um casal viver junto antes do casamento era incompatível com a ideia de casar depois. Não que o visse como um pecado ou algo do género mas não via interesse em festejar algo que já acontecia e fazia-me sentido "sair de casa dos pais para a casa de casado". 

Claro que, anos mais tarde, "mordi a língua" forte e feio já que o pedido de casamento chegou três meses depois de virmos morar juntos... e o sonho do vestido, do anel de noivado e a importância que passei a dar à oficialização da coisa me fizeram esquecer as minhas antigas certezas. 

 

- "Filho meu dormir na minha cama? Nunca..."- Há uma expressão francesa que diz "avant j'avais des principes maintenant j'ai des enfants" (antes tinha princípios agora tenho filhos) e admito que ela me assenta que nem uma luva. E trazer o meu filho para a minha cama era daquelas certezas absolutas que existiam dentro da minha cabeça. 

Até ao dia em que, depois de uma noite complicada, a única forma de descansarmos os três fosse trazê-lo para terreno proibido. 

Sim, não se deve fazer e blablabla mas às vezes uma pessoa faz como pode e, sinceramente, há regras que sabem bem se forem infringidas uma vez por outra. Mas, de qualquer das formas, a maternidade é rica em "morder a língua". 

 

Claro que ainda tenho muitos mais "eu nunca" que acabei por mudar ao longo dos anos mas são estes os mais flagrantes e também os que mais me fazem rir ai imaginar a minha cara de há uns anos atrás a ver o meu eu de hoje.  

E por aí, quais os principais "mordi a língua" da vossa vida? Não deixem de partilhar connosco... riremos de certeza um bom bocado!

Um grande beijinho e até ao próximo post!

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Photo by Hayes Potter on Unsplash

 

 

Isto de Ser Mãe de Primeira Viagem

O meu menino já ultrapassou o meio ano de vida. Parece que foi ontem que aqueles olhos expressivos me olharam pela primeira vez. Aqueles olhos de uma criança pronta a conquistar o Mundo mas, sobretudo, o coração da mãe. 

Estes foram os seis meses mais intensos da minha vida. Duros mas maravilhosos, cheios de aprendizagens e muito brilho nos olhos. 

Nada nem ninguém nos prepara para a maternidade/paternidade. Nem as conversas com os (já) pais, nem a gravidez e muito menos os livros ou as redes sociais. Esta é uma aprendizagem de terreno que nos coloca em causa o tempo todo.. 

Desde que ele nasceu percebi finalmente porque é que, para os pais, o tempo passa extremamente rápido. Admito que enquanto me encho de orgulho das suas novas conquistas me digo que estes meses deviam ter sido multados por excesso de velocidade. 

Emociono-me todos os dias com o sorriso aberto com que me recebe, a forma como interage com adultos e crianças na creche. 

Espanto-me com a facilidade com que ele me faz esquecer o cansaço e a frustração, especialmente nos dias em que teimo em ser a "Mãe Perfeita" e, como é óbvio, não consigo. 

Descobri com ele que posso fazer confiança ao meu instinto e que, mesmo que me engane, ele me perdoará. Também percebi como pode ser irritante ter um mini me com os mesmos defeitos que nós (faz birras de sono exatamente como a mãe).

O meu filho ensinou-me também que na educação não há dogmas, apesar de as técnicas de educação e as ideias relacionadas à parentalidade positiva estarem tanto em voga e todos os conselhos que nos oferecem (mesmo quando não perguntamos nada). O que funciona para uns não funciona para outros e tanto melhor assim.

Ao mesmo tempo perdi a vontade de dar as minhas opiniões sobre a performance dos outros pais... os miúdos fazem-nos duvidar das nossas certezas com extrema rapidez.  

Uma colega disse-me recentemente que a única receita que tinha para educar os filhos era bom senso e fazer-se confiança, por muito difícil que isso seja. Desde aí tento levar isto como um mantra, especialmente nos dias mais difíceis. 

Isto de ser mãe de primeira viagem tem muito que se lhe diga. É difícil, cheio de descobertas mais ou menos surpreendentes e algumas frustrações mas é também maravilhar-se todos os dias com os progressos dele e os milhares de fotos na galeria do telemóvel (e ter vontade de as mostrar a toda a gente...).

Uma coisa é certa nunca fiz nada tão exigente mas, ao mesmo tempo, tão maravilhoso! 

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Photo by Dakota Corbin on Unsplash

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