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Crónicas da Cidade dos Leões

Um blog que adora partilhar dicas e reflexões sobre lifestyle, descobertas e organização. Sejam Bem Vindos!

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Qui | 17.06.21

Querer mudar o Mundo sem começar por se mudar a si próprio

Nala

Desde há uns anos para cá as reivindicações por "temas globais" aumentaram de tom. Hoje em dia, todas as semanas nos deparamos com uma causa nova ou com uma nova manifestação.

Nada de errado com isso, mas há com certeza algo errado nesta necessidade quase inumana de "ter uma causa" mas não sentir o nosso lugar na nossa comunidade, na nossa família ou no nosso grupo de amigos como uma causa em si. 

Infelizmente esse ativismo parece-me, e peço desculpa pelo juízo de valor, mais um fenómeno de moda do que outra coisa. Ou não fossem algumas "grandes causas mundiais" (importadas a maioria das vezes dos EUA) terem muito impacto e outras "grandes causas mundiais" igualmente sangrentas serem empurradas para debaixo do tapete como se não existissem. 

No entanto, adultos e jovens lutam pelas suas "causas", ouvem documentários de plataformas de streaming feitos por realizadores mais preocupados no enquadramento e na beleza das imagens do que com a verdadeira informação e se tornam cada vez mais indisponíveis para criar interações de amizade saudável e livres de interesse em prol de uma "rede de contatos". 

Entretanto vão-se perdendo aos poucos e poucos oportunidades de fazer a diferença onde ela seria mais eficaz: ali à nossa porta, bem debaixo dos nossos olhos. Ou usando uma expressão popular: "queremos construir a casa pelo telhado" e esquecemos-nos de que fazer o bem, mesmo em pequena escala, já é um enorme investimento. 

Curioso como vamos para a rua protestar por tudo e mais alguma coisa mas vemos morrer os nossos avós sozinhos "não lhes vamos passar o bicho" mas também não lhes ligamos porque não temos tempo, somos cada vez mais "pró-qualquer coisa" mas somos incapazes de mudar as nossas atitudes para estar à altura das nossas boas intenções e continuamos convictos de que o nosso lugar no Mundo está assegurado apenas porque existimos, nem que para isso quem está à nossa volta fique em stand-by.

Passamos a vida a partilhar coisas nas redes sociais mas somos incapazes de perguntar a um amigo se está bem ou se, por acaso, precisa de alguma coisa e quando o fazemos nem sempre queremos ouvir a resposta. 

E depois queremos culpar a sociedade pela mãe que se esqueceu da criança no carro, porque pode acontecer a todos (ou culpar a mãe, porque já se sabe que gente perfeita é o que mais há por aí), mas pouco nos preocupamos em procurar sinais de alerta e encontrar tempo para aliviar as dores de quem nos é próximo e que pode precisar de uma mãozinha para que uma desgraça não lhe aconteça. Como se a sociedade não começasse em cada um de nós... 

Nunca se falou tanto em felicidade mas também nunca fomos tão péssimistas como agora.

Estamos tão focados em apontar dedos e guardar um olhar "catastrofista" sob o Mundo que nos esquecemos de que há sempre algo que podemos fazer para mudar as coisas. E esse algo é mais do que fazer partilhas nas redes sociais ou exigir medidas políticas que criam uma injustiça para "pagar" uma injustiça já existente. 

Queremos mudar a mentalidade de uma população inteira (como se isso fosse possível), criamos os nossos "anjos e demónios" e repetimos aos gritos que somos melhores pessoas por estarmos cheios de causas e que estamos certos mas esquecemos o que é mais elementar: o amor próprio, o amor aos outros, a construção de relações saudáveis e enriquecedoras. O dom de ouvir, de conhecer, de aprender e de se deslumbrar com aquilo que é possível, sem "azedar" à mínima contradição ou por alguém nos fazer sentir que não sermos o centro do Mundo e que a razão da contradição pode ser algo natural e não uma ofensa pessoal. 

Precisamos de gente que se comprometa a sério com o vizinho do lado e que sinta que pode mesmo mudar o lugar onde vive. Porque quem é capaz de mudar um bocadinho o lugar onde vive será com certeza capaz de ajudar a mudar e a construir o Mundo. Os outros são apenas os que fazem muito barulho mas têm pouca experiência...

Porque é impossível mudar o Mundo sem se mudar a si próprio primeiro...

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Photo by Markus Spiske on Unsplash

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