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Crónicas da Cidade dos Leões

As histórias, o dia a dia e as experiências de uma Portuguesa, expatriada em Lyon (França). Porque a nossa casa é onde nos sentimos bem... e onde somos felizes!

Mede as tuas palavras!

Uma pequena reflexão sobre como evitar magoar aqueles que amamos (e não só)

27.08.19 | Nala

Hoje gostaria de vos falar de um tema que me toca particularmente, entre outras razões porque eu própria sou perita em fazê-lo e estou a tentar corrigir-me.

Vivemos na era do politicamente correto, onde todos os nossos atos são passados em escrutínio público e onde ninguém, mas mesmo ninguém, se inibe de dizer aquilo que pensa. Mesmo que seja um juízo de valor infundado e, na maior parte das vezes, que nem é dito na hora nem no local certo. 

Sabem aqueles comentários que temos a mania de fazer, normalmente cheios de boas intenções, mas que acabam por magoar os outros? Quantas vezes já vimos o afastamento de pessoas que eram muito importantes para nós por um motivo assim?

Sabem quando aquele nosso amigo veio ter connosco para desabafar e nós, em vez de o escutarmos como um excelente amigo faz, nos limitamos a proferir a frase "Eu bem te avisei".

Se calhar até avisamos, se calhar até tínhamos razão desde o início mas ouvir isso não lhe fazia falta nenhuma, pois não? Acabamos por deixar o nosso ego sobrepor-se ao valor da amizade... e provavelmente magoámos alguém de quem gostamos muito. 

Outro exemplo que todos já fizemos é dizer a uma amiga "és uma sortuda". Até pode ser que seja, aos nossos olhos a mulher mais sortuda do Mundo, mas será que para ela isso é mesmo assim? Não sabemos do que ela teve de abdicar para ter a "sorte" que têm e nem sabemos sequer se ela sente aquilo que têm como sorte ou como um grande azar. Afinal não vivemos os seus dias na sua pele pois não?

Podia passar aqui o dia a dar-vos exemplos de coisas que todos nós já dissemos (e atire a primeira pedra quem nunca) mas não vai servir de nada. Afinal não temos de puxar muito pela cabeça para saber quando fizemos uma desta pela última vez... 

Aquilo que vos proponho é uma reflexão. Não nos podemos colocar no lugar do outro nem saber o que lhe vai na alma, não é mesmo? Mas podemos mentalizar-nos exatamente disso. 

Que não nos esqueçamos nunca de que todos estes comentários que fazemos, sejam eles com melhor ou pior intenção, são fruto das nossas próprias emoções e experiências e não das emoções e experiências de quem está à nossa frente. 

Por isso, quando quiseres fazer um comentário a alguém sobre a sua própria vida fá-lo quando essa pessoa te pedir ou então, se for alguém muito próximo, quando a circunstância o exigir. 

Nunca te esqueças de usar o bom senso, e respeitar o facto de que não conhecemos o que vai exatamente na alma da pessoa.

Dá opiniões que sejam pertinentes e se não tiveres nada de novo a acrescentar escuta apenas, sem julgamentos nem risco de fazer um juízo de valor que pode magoar alguém quando não era de todo essa a intenção.

O único caminho que conhecemos é o nosso próprio caminho e todos os comentários que podemos fazer sobre o outro, e em especial ao outro, são oriundos das nossas próprias experiências que projetamos naquilo que ele está a viver agora. Preservemos o encanto das amizades, o respeito pela posição do outro e sobretudo os seus sentimentos. 

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