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Crónicas da Cidade dos Leões

Um blog que adora partilhar dicas e reflexões sobre lifestyle, descobertas e organização. Sejam Bem Vindos!

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Ter | 04.05.21

Conversas entre Mulheres: Confinamento e Motivação #2

O Testemunho da Maria

Nala

No primeiro Conversas entre Mulheres conhecemos um bocadinho mais da Rute do blog O Meu Maior Sonho que nos trouxe o seu testemunho sobre o como se manter motivada mesmo nesta fase difícil sem deixar de lado nenhum dos seus papéis. 

Nesta segunda edição trago-vos o testemunho da Maria do blog Sorriso Incógnito.

A Maria é a típica "Mulher do Norte": carácter e força de vontade são duas características que sobressaem dos seus textos e é impossível não apreciar aquilo que nos diz e sobretudo a forma como o faz. 

A cada uma das minhas perguntas ela respondeu com uma frontalidade incrível e ainda nos deixou uma mensagem de peso: "Não tenhas medo do espelho!"

Um testemunho muito, mas mesmo muito inspirante!

 

- Quem é a Maria? Fala-nos um bocadinho de ti e da mulher que és…

Costumo dizer que sou típica mulher do Norte. Acho que tenho um coração bom, sou de valores, tento sempre ser melhor pessoa, sou muito tu cá tu lá, sou a que se importa com o vizinho, mas tenho pimenta no nariz e o coração perto da boca. Prezo muito as relações entre pessoas, sou muito amiga do meu amigo (e se calhar o ter duas afilhadas filhas de amigos comprova isso), mas não sou fácil de abrir a minha vida a muitas pessoas.

Sou bem mais envergonhada que o que parece. Tenho sempre o melhor dos sorrisos, mesmo quando tenho todas as razões para chorar. Mas não sei lidar com a pergunta “passa-se alguma coisa contigo?”. É claro que quem me conhece às vezes consegue chegar lá. Sou uma mulher com orgulho de o ser, ciente dos meus defeitos mas consciente das minhas virtudes 😊

 

- Este último ano foi cheio de desafios para todos nós. Quais seriam os principais pontos positivos e as tuas maiores dificuldades ao longo dele?

Foi um ano diferente para todos, e sentido de forma diferente por todos. Eu fui uma privilegiada. Acho e admito, não poderia dizer o contrário. Estamos todos na mesma tempestade, mas é claro que em barcos diferentes.

O maior desafio para mim foi o teletrabalho que fiz pela primeira vez na vida, que de início até gostei mas que no balanço não foi assim tão bom. Mas a verdade é que o ponto positivo tive sempre trabalho. Sempre. E bastante. E continuo a ter. Graças a Deus. E consegui faze-lo em segurança junto dos meus e tendo também esse cuidado para com eles.

A minha maior dificuldade foram as saudades dos abraços e foi lidar com a saúde mental. Que deve ser do que ficou mais devastado este ano. Todos fomos afetados, mas quem já tem problemas agravaram. Eu tenho que lidar com isso, foi difícil. Muito difícil. Deu-me medo muitas vezes e continua a dar.

A minha saúde mental e a dos que me rodeiam é um ponto essencial para toda a positividade que tento ter no dia a dia e quando isso falha em algum ponto é deveras complicado.

 

- Como mulher fala-nos um bocadinho da tua organização com o trabalho, casa e todos os papéis que desempenhas (filha, esposa, amiga…). Sentes que consegues encontrar tempo para cuidar de ti ou nem por isso?

Confesso que sou um desastre no que toca a tomar conta de mim. Posso deitar desculpas para aqui ou para ali, mas na verdade não há desculpas porque quando quero mesmo as coisas arranjo todo o tempo quase sem falhar.

Tenho o típico trabalho 9 às 18h mas o horário nem sempre é literalmente esse muito menos quando a cabeça vem ocupada para casa. Tento que não aconteça para estar mais inteira com os meus, a casa e eu mesma.

Tento. Todos os dias são diferentes e acho que isso se deve ao teu humor diário. Se acordares bem vais conseguir lidar melhor com o tempo e com a sua organização.

Mas tenho pontos essenciais onde preciso que as coisas no trabalho me corram de feição para depois chegar a casa e organizar -me com o trabalho de casa a fazer, com ajudar os meus pais no que precisam, ter tempo para videochamadas para encurtar distâncias e no tentar falar sempre com algum amigo e nomeadamente a minha afilhada vizinha que me faz recuperar forças e desligar o stress dos dias.

Sou muito esponja e se conseguir ver à minha volta as coisas bem, eu estou bem e a cuidar de mim.

 

- Qual é aquele momento do teu dia em que te ofereces um bocadinho só para ti… e que se não o tens sentes uma falta terrível?

Não tenho um momento fixo, ou seja não posso dizer que é de manhã ou à noite ou quando chego do trabalho. Mas há um momento em que penso mais como está a minha vida, inevitavelmente quando vou a conduzir e quando me deito e estou completamente sozinha.  Só para pensar mais em coisas minhas e alinhar chacras.

Há mulheres por exemplo que é quando se maquilham, ou quando fazem banhos spa, ou algo do género, não tenho paciência para isso, confesso. E nem é esse momento “típico zen” que me faz falta. Faz-me falta é cada momento que acho que falhei e não tentei ser melhor, de coração isso cutica-me no meu ponto essencial para me sentir bem.

Cada vez mais sou muito mais interior (à procura daquela paz) para ter harmonia com o meu exterior e o que transbordo.

 

- Uma das razões pelos quais adoro seguir o teu blog é o teu estilo e a tua forma de estar. Como fazes para manter a motivação na hora de levantar, vestir e arranjar e não sucumbir à tentação do pijama e fato de treino o dia inteiro e esqueceres-te de tratar de ti?

Confesso que nunca fui de ter um estilo. Sou sempre pelo que me apetece. Eu não consigo organizar a roupa para o dia a seguir por exemplo. Porque isso depende do meu estado de espírito. Tem dias que saio de casa arrastada por sapatilhas jeans e uma blusa básica. Tem dias que vai no salto porque me apetece e posso. Mas tem domingos por exemplo (mais inverno) que me apetece passar de pijama a passo. Não me sinto nada mal por isso. 

Na verdade se estiver em casa gosto de estar o mais confortável possível porque me faz sentido assim como me faz sentido quando saio sentir-me bem nem que seja ir toda arranjadinha como quem vai para uma saída top quando vou só comprar pão.

Um dia destes tive uma "discussão " com alguém que me dizia que as pessoas se arranjam para os olhos das outras. Não digo que não tenha influência, mas eu arranjo-me para estar top aos meus olhos. E é isso que eu vou passar aos outros! Essa é a minha motivação.

 

- Qual o conselho que gostarias de deixar a todas as mulheres (e homens, claro) que precisam de um incentivo para cuidarem de si próprios ou que se passaram para segundo plano devido a todas as restrições e desafios que este último ano?

Não tenhas medo do espelho e enfrenta-o. O espelho não reflete quem és, mas é em frente a ele que te consegues ver melhor. Por fora e por dentro.

O dia a dia muitas vezes tira-nos isso e só olhamos de esguelha para um espelho, mas enfrentá-lo com a pergunta estás bem? Vai fazer com que se tente responder a essa pergunta e não é só se estás bem com essas rugas que começam a aparecer ou com os quilos a mais na balança é se estás bem com aquilo que o espelho te faz bem, se te gostas, se te sentes bem contigo mesma, se transpareces que estás bem.

Não tem a ver com as medidas, tem a ver com o teu EU. Isto é uma fase menos boa que vai passar e tu tens inevitavelmente que passar por ela mas temos que passar de cabeça erguida e a tentar acima de tudo que a nossa saúde mental acompanhe da melhor maneira.

 

E por aí, o que acharam deste testemunho da Maria? Eu confesso que retive a respiração ao longo do texto! 

Para a semana teremos uma nova convidada que nos vai também ela trazer o seu testemunho.

Um grande beijinho e até ao próximo post!

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Se ainda não seguem a Maria podem fazê-lo através do blog Sorriso Incógnito ou da sua página de Instagram.

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