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Crónicas da Cidade dos Leões

As histórias, o dia a dia e as experiências de uma Portuguesa, expatriada em Lyon (França). Porque a nossa casa é onde nos sentimos bem... e onde somos felizes!

Carta ao meu Eu adolescente

O post mais catártico que alguma vez escrevi...

07.11.19 | Nala

Olá meu "eu adolescente", como vais tu do alto dos teus 16 anos?

Continuas cheia de certezas e de energia, com a cabeça a rebentar de sonhos e aquela arrogância típica dos adolescentes que acham que sozinhos podem mudar o Mundo? 

Não, não te estou a criticar, antes pelo contrário.

Foste uma miúda às direitas: boa aluna, perspicaz, amiga dos seus amigos, que não tinha papas na língua, que achava que ia morrer de amor pelo tipo mais burro e mentiroso que alguma vez tinha passado pela escola e leal como poucos adultos o sabiam ser.

Nunca arranjaste confusões a não ser que fosse para salvar um "pobre e oprimido" e, apesar das "bofetadas de luva branca" e das desilusões nunca achaste que dar uma oportunidade àquela pessoa ou situação fosse uma perda de tempo ou um erro. 

Sabes, às vezes, quando sinto o peso da responsabilidade que a idade adulta me trouxe (ou que eu me impus a mim própria) penso em ti. No que dirias, qual seria a opinião que te sairia disparada, e sem pedir licença, pela boca fora.

E quando isso acontece, quando imagino o que me dirias, recentro-me e foco-me. E avanço. 

Ainda há tanta coisa de idêntico entre nós: continuo a ser uma sonhadora nata, vou casar brevemente com o vestido de noiva que tu escolheste (sim, foste tu e não "eu" quem escolheu aquele vestido, ele é a tua cara, não a cara da adulta demasiado séria que me tornei).

Quando penso em ti redescubro o prazer de ser assertiva e de desprezar, de uma maneira discreta, as regras que precisam de ser desprezadas.

Sabes, o Mundo dos adultos continua louco, ou se calhar ainda está mais louco do que no teu tempo com tantas regras e limites, e politiquices e gente que se esconde para não assumir as suas responsabilidades. Ah como a falta de responsabilidade e de assumir os próprios erros era coisa que te fazia subir às paredes...  

Lembras-te da tua frase: "São as nossas atitudes mais do que as nossas capacidades que mostram quem realmente somos?"* continua a ser o meu mantra. Curioso como em 15 anos tão pouca coisa mudou na minha forma de ver a vida. 

Continuo a adorar, tal como tu, uma bela minissaia e uns ténis coloridos, beber um ginger alle numa esplanada desde que o Sol ponha o narizinho de fora e de estar rodeada dos poucos que me são tanto.

Continuo a ser paciente, mesmo para aquelas pessoas que têm sempre três problemas para a solução que lhes é proposta, apenas pelo simples facto de gostar delas. 

Sabes com as tuas experiências e as tuas decisões, mais ou menos sensatas, continuas a ser uma grande fonte de inspiração.

Porque enquanto tu estiveres dentro da minha cabeça e do meu coração para me relembrar que amor próprio, lealdade, força de vontade e persistência são a base de tudo nada pode correr mal para mim. 

Sabes, meu "eu adolescente" tenho tanto orgulho em ti!

*JK Rowling- "Harry Potter e a Pedra Filosofal"

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Photo by Hannah Busing on Unsplash

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