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Crónicas da Cidade dos Leões

Um blog que adora partilhar dicas e reflexões sobre lifestyle, descobertas e organização. Sejam Bem Vindos!

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Ter | 22.06.21

5 Coisas que gostava de saber quando entrei na Faculdade

Nala

Estamos naquela época do ano em que os nossos jovens correm para os exames nacionais de acesso ao ensino superior e as corridas às universidades terão inicio daqui a pouco tempo. 

Se esta fase é crucial na vida de um jovem (seja o seguimento de um curso universitário ou, pelo contrário, a escolha de uma outra profissão igualmente meritória e necessária) também não deixa de ser verdade que esta escolha é vista como "a oportunidade última" de realização profissional e pessoal e isso nem sempre é assim.

No ano em que comemoro 10 anos de licenciatura trago-vos 5 coisas que gostava que me tivessem dito ao longo dos meus anos de formação profissional e que me teriam poupado momentos de stress e de sensação de ser uma nódoa e de não me dedicar suficientemente à profissão. 

 

- Uma profissão não define quem tu és: 

Durante os meus anos de faculdade e inicio de carreira a primeira palavra que me saia da boca quando me pediam para me definir era relacionada com fisioterapia ou fisioterapeuta. No entanto, ao longo dos anos, essa definição prejudicou-me mais do que me ajudou.

Provavelmente muito por culpa daquela célebre frase do "escolhe um trabalho que gostes e não terás de trabalhar um único dia na tua vida" e que, por muito bonita que seja, não nos prepara para os dias e momentos em que tudo corre mal e que não nos resta mais nada senão "cerrar os dentes" e esperar pela oportunidade de mudar alguma coisa. 

A fisioterapia faz parte de mim e é o meu meio de subsistência, no entanto tenho muitos mais papéis que executo e que me definem igualmente bem.

Aliás hoje sei que gosto de demasiadas coisas e que preciso de misturar tudo isso para me sentir bem na minha pele. E isso é importante para manter um equilíbrio com a minha vida pessoal, familiar e social  que, para mim, são fundamentais!

Outra coisa importante é que nenhum arrependimento, mudança de projeto ou simplesmente vontade de fazer algo diferente demonstram alguma coisa de errado contigo, nem mesmo quando os nossos antigos colegas continuam tão motivados como sempre (especialmente quando tem negócios próprios e usam as redes sociais como "motor" para chegar a mais pessoas. Cada um sabe de si e, felizmente, as nossas aspirações são diferentes.

 

- Não desleixes nada pelo curso: 

Sim, as fases de exames são complicadas e sim existem momentos de muita tensão. Mas existem também momentos de maior disponibilidade. E é nesses momentos que é preciso cuidar das relações amorosas, das amizades, da família e de nós mesmos. 

Porque se uma rede de contactos é importante e se as mil associações da faculdade podem ser uma aposta de "futuro" em caso de um problema mais pessoal essas ligações não te vão valer de nada, afinal não é essa a sua "função".

Já ter gente que gosta de nós a sério é um luxo inestimável nos dias que correm e guardar bons  amigos é um tesouro incalculável por isso guarda-os bem perto de ti e do coração, mesmo que não possam estar juntos todos os dias... 

 

- Aprende outras competências: 

Se a única coisa que fizermos ao longo da nossa vida estiver ligada ao percurso escolar então não aprendemos nada fora das competências técnicas e ideológicas da profissão.

Adquirir competências variadas (e desculpem lá mas o english business ou as conferências XPTOs da faculdade não contam neste tópico) podem, no entanto, ser de extrema importância em todas as áreas e ajudar-te num processo de desenvolvimento pessoal e profissional e, quem sabe, mostrar mais de ti ao teu futuro empregador do que aquilo que pensas. 

Empatia, lealdade, companheirismo, espírito de sacrifício, trabalho de grupo, resiliência são alguns dos itens que aprendemos mais facilmente em atividades extra curriculares do que na escola. 

Fui escuteira durante muito tempo e talvez essa "escola" me tenha formado mais sobre pessoas do que todas as aulas, exames e trabalhos da faculdade,  e como profissional de saúde isso é uma mais valia inestimável.

Acredito que assim seja para todas as áreas onde os contactos humanos, seja de que ordem for, também o sejam. 

 

- Aproveita cada momento: 

Eu sou a primeira pessoa a defender que ter objetivos e planos é fundamental mas acho que não nos devemos esquecer do momento presente. 

Os últimos anos de adolescência e os primeiros de vida adulta são essenciais na nossa construção enquanto pessoas e no aperfeiçoamento da nossa essência. 

Deveria aproveitar-se esse momento privilegiado para conhecer pessoas inesquecíveis, fazer descobertas maravilhosas e aprender a afirmar-se. Mas afirmar-se pelo que realmente se é e não pelas ideias dos amigos, dos grupos de estudantes ou ideologias políticas que invadem cada vez mais os media e os corredores das universidades. 

De tanto nos queremos destacar acabamos por entrar em "caixinhas" e fazer todos as mesmas coisas. 

Os valores e um carácter determinado são demasiado raros nos dias de hoje e é quando ainda não precisas daquele emprego para sobreviver e pagar contas que podes aprender a afirmar-te,  a negociar, a impôr limites e a controlar o que sentes e como sentes sem te prejudicar mais tarde. 

 

- Trabalha a tua autonomia: 

Coisa altamente aceite em Portugal é a dependência financeira dos pais até tarde (demasiado tarde) e isso porque os cursos são longos (e somos meio que empurrados para o mestrado e depois para o doutoramento) e é difícil arranjar trabalho "na área".

Depois, ainda há uma tendência essencialmente errada que "fazer estudos" e executar um trabalho de baixo grau, nem que seja em part-time ou como emprego de Verão, é "mau" para o curriculo. 

A verdade é que podemos sempre aprender, fazendo o que quer que seja. Um estudante de medicina pode aprender muito quando faz um trabalho de atendimento ao público numa caixa de supermercado, por exemplo.

Pessoalmente durante praticamente todas as férias da faculdade trabalhei e sinceramente nunca mais tive a mesma sensação de orgulho e dever cumprido como aqueles primeiros salários que não me davam para viver, certo, mas que me faziam sentir adulta e responsável. E que foram bem práticos para comprar coisas que me faziam falta e que não queria pedir aos meus pais e ainda para financiar algumas das borgas do início de ano letivo! 

Já agora, e correndo o risco de chocar pais e filhos, há uma altura em que os pais têm direito de ter a sua vida e de poderem oferecer-se a si próprios pequenos luxos. Ora se vivermos à custa deles até muito tarde estamos a privá-los disso... e convenhamos que mesmo que a nossa cultura e usos e costumes em Portugal estejam feitos nesses moldes e que pai nenhum que se prese vos dirá isso, eles também merecem ter tempo para eles, não acham?

 

E por aí, o que gostariam que vos tivessem dito nesta fase decisiva de escolher que profissão exercer no futuro? E o que disseram aos vossos filhos sobre o assunto? 

Um grande beijinho e até ao próximo post!

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Photo by Siora Photography on Unsplash

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